terça-feira, novembro 28, 2017

Roteiro de viagem: Jordânia (7 dias)

Foram sete dias a viajar de carro pela Jordânia, um país onde nos sentimos sempre seguros e bem recebidos por pessoas com um surpreendente sentido de humor. Apesar de ser uma das terras mais secas do mundo, guarda maravilhas como Petra e o deserto de Wadi Rum, considerado por muitos como o mais bonito de todos. Mas há mais, como comida deliciosa do Médio Oriente, uma capital vibrante, algumas das principais ruínas do Império Romano e o Mar Morto, onde vale a pena flutuar no local de menor altitude do planeta.

Este foi o nosso roteiro na Jordânia.

Dia 0 - Chegada a Amã

São cinco para a meia-noite. Chegámos a Amã, a capital da Jordânia, num voo da Turkish Airways, com escala em Istambul. Levantámos o carro alugado no aeroporto e percorremos os 40 km que o separam do centro da cidade, onde ficámos alojados.

Dormida em Amã

Dia 1 - Jerash e Mar Morto

De manhã, partimos para Jerash, cidade que fica a 48 km a norte de Amã, 48 km que se poderiam fazer em menos de uma hora de carro, não fosse o trânsito caótico e demorado da capital. Jerash foi uma surpresa para nós. Sabíamos que é um dos locais com as ruínas romanas mais bem preservadas do mundo, mas são muito mais extensas e impressionantes do que estávamos à espera.



Depois do almoço, seguimos viagem até ao local de menor altitude da Terra. Devido ao trânsito que mais uma vez apanhámos em Amã, só chegámos ao Mar Morto ao final do dia. Enquanto tirávamos fotografias, uma família convidou-nos para tomar chá com eles, convencendo-nos, desse modo, que os jordanos são um povo simpático e hospitaleiro. Ao mesmo tempo, guardávamos memórias do Mar Morto invadido pelas cores suaves do pôr-do-sol.

Dormida nas proximidades do Mar Morto

Dia 2 - Reserva Natural de Mujib, Castelo de Karak, Reserva da Biosfera de Dana e chegada a Petra

Situada a 410 metros abaixo do nível do mar, Mujib é a reserva natural a menor altitude do planeta. As suas montanhas enrugadas - e tão estranhas que parecem irreais - ficam ao lado do Mar Morto e são atravessadas por estreitos desfiladeiros (“siqs”), através dos quais corre água, proporcionando as melhores experiências de aventura na Jordânia. Vale, sobretudo, a pena percorrer o “Siq Trail” (2-3 horas, fácil a moderado), seguindo o curso do rio entre paredes rochosas, desde o Centro de Visitantes até uma grande cascata.



Uma vez que a água estava gelada e não levávamos nem calçado nem roupa impermeável, seguimos viagem até ao castelo dos Cruzados em Karak, onde fizemos uma curta paragem. Depois fizemo-nos à estrada por paisagens sempre secas até à Reserva da Biosfera de Dana, uma zona de grandes montanhas áridas e remotas, onde coexistem espécies da Europa, África e Ásia, incluindo animais e plantas muito raras. É um excelente local para quem gosta de tranquilidade, de fazer caminhadas e de viver experiências únicas em alojamentos de sonho, como a Dana Guesthouse e o Fenyan Ecolodge.

Depois do almoço na Guesthouse, demos um passeio pela aldeia de Dana e o resto do dia foi passado em viagem até Petra, onde passámos a noite.

Dormida em Wadi Musa (Petra)

Dia 3 e 4 - Petra

Petra é a antiga capital dos Nabateus, uma civilização perdida que, há 2000 anos, construiu uma grandiosa metrópole e diversos túmulos monumentais entre as montanhas áridas e desertas da Jordânia. No meio de uma dessas montanhas, há um “siq”, um desfiladeiro muito estreito que é preciso percorrer para chegar ao Tesouro, na entrada dessa cidade. Depois, abre-se perante nós todo um vale monumental com grutas e construções esculpidas em rochas alaranjadas, bem como caminhos misteriosos para desbravar.



Ao contrário do que pensávamos, Petra é bastante grande e tem de se andar muito a pé. Por isso, são precisos pelo menos dois dias para a explorar a fundo, havendo várias caminhadas que se podem fazer. No primeiro dia, fizemos duas: uma até ao Altar-Mor do Sacrifício e outra até ao miradouro do Tesouro. No segundo dia, fomos a pé até ao Mosteiro, outro lugar emblemático desta maravilha do mundo, e vimos Petra à noite iluminada por milhares de velas.

Dormida em Wadi Musa (Petra)

Dia 5 - Deserto de Wadi Rum

A viagem de carro entre Wadi Musa (Petra) e o centro de visitantes de Wadi Rum demora quase duas horas. Foi neste último que marcámos encontro com o guia que nos acompanharia naquele que é considerado por muitos como o deserto mais bonito do mundo. Passámos aí todo o dia, empoleirados nas traseiras de uma pick-up. Vimos formações rochosas impressionantes. Descemos dunas avermelhadas a correr. Subimos uma montanha para vermos sozinhos o pôr-do-sol. Conversámos sobre a vida com dois beduínos e um australiano à volta de uma fogueira sem qualquer rede de telemóvel ou distração. Escutámos o silêncio e vimos estrelas mil antes de adormecermos num acampamento no coração do Wadi Rum. E nenhum sonho teria sido melhor do que este dia.

Dormida num acampamento beduíno no deserto

Dia 6 - Amã

Despedimo-nos cedo do deserto e regressámos a Amã, com o carro a apitar sempre que ultrapassávamos os 120 km/h. Remontando a 8500 A. C. e atualmente com 4 milhões de habitantes, a capital da Jordânia é uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo. Atravessámos a cidade de carro e, ao pôr-do-sol, fomos observá-la a partir de uma das sete colinas que a rodeiam, no miradouro junto à cidadela romana, ouvindo os muezzins a chamar os fiéis para a última oração nas mesquitas. Terminámos o dia na zona da Rainbow Street, uma das ruas mais modernas e vibrantes de Amã, onde não faltam lojas, restaurantes e cafés em que se pode fumar através de um cachimbo de água (shisha).

Dormida em Amã

Dia 7 - Amã e partida para Lisboa

O último dia da nossa viagem foi todo passado em Amã. De manhã, visitámos o Museu da Jordânia e passeámos na baixa da cidade, cheia de pessoas e comércio. Bebemos sumo de romã, entrámos numa pastelaria para experimentar bolinhos de pistacho e almoçámos num dos restaurantes mais famosos da zona. À tarde, subimos a outra das colinas da cidade para visitar Darat al Funun, um centro de exposições para artistas árabes contemporâneos, rodeado por relaxantes jardins com boas vistas sobre Amã. O resto da tarde foi passado na cidadela, a parte antiga da cidade outrora povoada pelos romanos. Para terminar o dia, voltámos à Rainbow Street onde jantámos num dos restaurantes mais baratos (e um dos nossos preferidos) de toda a viagem.

Dormida (estafados) no avião com destino a Lisboa

Esta viagem à Jordânia fez parte do prémio que ganhámos este ano, o de blogue de viagens mais votado pelo público, na categoria Open World, a principal deste concurso organizado pela momondo.

Apesar de nós não termos ido, também poderá gostar de visitar:

  • Monte Nebo, mencionado na Bíblia como o local de onde Moisés viu a Terra Prometida;
  • Rio Jordão, onde Jesus foi batizado;
  • Um er-Rasas, um parque arqueológico declarado Património da Humanidade que contém ruínas de civilizações romanas, bizantinas e muçulmanas;
  • Madaba, uma cidade famosa pelos seus mosaicos, em especial o mapa mais antigo da Terra Santa;
  • Aqaba, uma cidade junto ao Mar Vermelho, espetacular para fazer mergulho e "snorkelling".

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