quarta-feira, maio 17, 2017

Marvão revisitada

Vamos contar-vos uma história. Um dia fomos a Marvão e o Paulo tirou uma fotografia a uma rua, tendo-a publicado na Internet. Passado muito tempo, a Catarina, proprietária da Estalagem e Mercearia de Marvão, cujo edifício aparece na foto, viu-a partilhada no facebook sem os devidos créditos e encetou uma busca para descobrir o seu autor. Ajudada por várias pessoas, conseguiu finalmente encontrar o Paulo e contactou-o perguntando-lhe se a imagem era dele e se a podia adquirir, já que queria imprimi-la em postais para vender aos clientes. O Paulo ficou surpreendido por ainda haver pessoas que respeitam os direitos de autor e, em troca da foto, propôs-lhe alojamento na sua estalagem. E foi assim que passámos a nossa primeira noite em Marvão.

Marvão é uma vila medieval, localizada no Alto Alentejo, a menos de três horas de Lisboa, perto da fronteira com Espanha. Fica nas costas de um dragão de pedra que a defendeu ao longo dos tempos, mesmo ainda antes da fundação de Portugal, e abraçam-na muralhas, donde se avistam paisagens ondulantes que se estendem até à linha do infinito. Queria escrever todas as palavras do mundo que vos convencessem a ir visitá-la. No entanto, as expressões “a melhor”, “a mais bela”, “a não perder” estão cansadas de aparecer em artigos de viagem.

Quando eu e o Paulo lá vamos, é como se fôssemos pela primeira vez, porque ficamos sempre surpreendidos por ser ainda mais bonita do que nas nossas lembranças. Dentro das muralhas, moram atualmente cerca de cem pessoas, há um castelo no ponto mais elevado, as ruas são estreitas e as casas todas brancas, com janelas e portas emolduradas por pedra. Desta vez, tivemos Marvão (quase) só para nós desde o pôr-do-sol até ao meio da manhã, visto que passámos lá a noite.

Nunca levámos mapa, não só porque a vila cabe toda intramuros, mas também porque um dos grandes prazeres de visitá-la é perdermo-nos, descobrindo por nós próprios o que guarda. Se também prescindirem de um, não deixem, todavia, que vos escapem os seguintes locais:

Locais a visitar em Marvão

  • O castelo. Se puderem visitem-no de dia, mas também no mistério da noite (a entrada é gratuita à noite);
  • A cisterna. Fica dentro do castelo e estivemos lá sozinhos depois do jantar, a rirmo-nos com o eco das nossas cantorias;
  • As muralhas, donde conseguimos ver Marvão de cima e as planícies em redor como se fôssemos pássaros;
  • O pôr do sol, nas imediações do jardim perto do castelo;
  • A Casa da Cultura, onde antigamente ficava o tribunal e a prisão;
  • As esplanadas com vistas belíssimas;
  • A Galeria de Marvão, na Rua de Cima, nº 21, onde as fotografias de Paulo Gouveia revelam ângulos e pormenores da vila que passam despercebidos aos nossos olhos.










Onde dormimos

Estalagem de Marvão. A estalagem fica dentro das muralhas, mesmo ao lado da Casa da Cultura e resulta do restauro das “Cazas do Concelho da Apousentadoria dos Ministros”, onde se instalaram 12 juízes de fora, entre os quais Mouzinho da Silveira. Ficar aí alojado é ter oportunidade de usufruir de um edifício autêntico de Marvão e sentirmo-nos em casa, sobretudo ao final do dia, sentados na sala-de-estar, junto à salamandra, com uma chávena de chá na mão.

No rés-do-chão, transformado numa mercearia à moda antiga, típica das aldeias alentejanas, fica a Mercearia de Marvão, onde os proprietários da estalagem vendem não só alimentos e artigos de uso doméstico, mas também artesanato e produtos regionais, além dos postais, cadernos e "imans" com a foto do Paulo.



Onde (nos aconselharam a) comer

Não comemos em Marvão, mas gentes da terra recomendaram-nos os seguintes restaurantes:
  • Varanda do Alentejo (para comida alentejana);
  • Casa do Povo (para comida mais generalista);
  • El-Rei Dom Manuel (no hotel com o mesmo nome);
  • O Castelo - Café Lounge (para refeições mais ligeiras, como tostas, sandes, saladas ou uma tábua de queijos, presunto e azeitonas).

Eventos

Festival Internacional de Música de Marvão ou “a magia da música clássica num cenário de sonho”, como se pode ler no website do evento. Realiza-se no verão (em 2017, de 21 a 30 Julho) e já vai na quarta edição, graças ao sonho de Christoph Poppen, um maestro alemão de renome internacional que se apaixonou por Marvão e aí tem casa.

Recomendações

  • Lemos que antigamente Marvão era tão ventosa que nem com pedras se conseguiam segurar as telhas e que, por esse mesmo motivo, as casas não tinham chaminés. As pessoas acendiam o lume lá dentro e o fumo era tanto que pareciam o inferno. Hoje já não é assim, mas convém ir preparado para o vento e para o frio, mesmo no verão;
  • Como Marvão é uma vila medieval, completamente intramuros, com ruas estreitas e poucos lugares para estacionar, o melhor é deixar o carro fora das muralhas.











Passeio realizado no fim-de-semana de 6 e 7 de Maio de 2017

2 comentários:

  1. Dá para ver a foto que originou a bonita estória?

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  2. Olá Dylan! A foto está no artigo mas, se calhar, passa despercebida. É a imagem do caderno, do postal e do iman, a seguir à parte "Onde dormimos" ;)

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