quarta-feira, março 29, 2017

Torcal de Antequera, as rochas que nasceram no mar

O Caminito del Rey é o mais famoso, mas há outro trilho formidável nas suas proximidades: o que percorre o Torcal de Antequera, uma paisagem natural declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, na região espanhola da Andaluzia.

No Torcal há pedras como nunca viram, esculpidas durante milhares de anos pelo mar, pela chuva e pelo vento. Há quem viaje para se ver fotografado em locais especiais. Chegam com estrondo, tiram uma “selfie” e partem rapidamente para colecionar mais lugares. Outros, como nós, preferem viajar devagar, demorar-se nos sítios que os fazem sentir bem. Por isso, gostamos de caminhar nos parques naturais que visitamos, procurando trilhos com menos de 10 km e com um grau de dificuldade baixo ou médio, adaptados à nossa forma física.

No Torcal de Antequera, há 3 percursos pedestres assinalados: o laranja (linear, 3,7 km, 1h30), o amarelo (circular, 3 km, 2h) e o verde (circular, 1,5 km, 45 minutos).

No Centro de Visitantes aconselharam-nos a fazer o amarelo, com partida e chegada junto ao mesmo. O trilho percorre o Torcal Alto, uma área labiríntica por entre as rochas: pequenas e escorregadias debaixo dos nossos pés; enormes e com formas invulgares a toda a nossa volta.

Era um dia de nevoeiro. As pedras escondiam-se por entre a bruma. As mais distantes espreitavam rapidamente e desapareciam logo a seguir. Apesar de não as conseguirmos ver bem, essa atmosfera misteriosa dava-nos a sensação de que estávamos noutro planeta. De vez em quando, ouviam-se uns ruídos: eram cabras-montês empoleirados nas alturas, a olhar seriamente para nós sem se mexerem. Às tantas, resolvi aproximar-me de uma mas, quando começou a tossir, recuei com medo. Cruzámo-nos com um casal acompanhado por um cão e assistimos a um frente-a-frente entre ele e as cabras selvagens, ou melhor, a um jogo do sério. Olharam-se demoradamente, mas depois as cabras também tossiram ao impávido cão e fomos todos embora.

Mais à frente, passou por nós um guia acompanhado por um grupo de nórdicos, incluindo vários idosos. Devagarinho lá iam, caminhando ora em silêncio ora a falar em surdina como fazem as pessoas que gostam da natureza, dando-me esperança de uma velhice feliz.

A cada passo, faziam também crescer dentro de mim resiliência para caminhar sobre o trilho pedregoso e lamacento. É que, ao contrário do Paulo, eu tenho um medo persistente de escorregar e cair. Além disso, ando muitas vezes com a cabeça no ar, querendo ver tudo à minha volta. No Torcal, é muito fácil distrairmo-nos com o que nos rodeia. Bolos mil-folhas, cogumelos, bolachas, bolas de gelado: era o que nós víamos nas formações rochosas, mas também há quem imagine parafusos, dedos, camelos, garrafas.

Apesar de tudo, consegui não cair uma única vez e hoje, que não estou tão bem, posso dizer que o que mais desejo neste momento é sentir a paz interior de quando ando pela natureza.

































Guia Prático

Localização

O Torcal de Antequera fica a 18 Km de Antequera, a 50 Km de Málaga e a 174 km de Sevilha.

Entrada

Gratuita, tanto no parque natural como no Centro de Visitantes e nos parques de estacionamento.

Caracterização do percurso

  • Rota: amarela
  • Distância: 2,7 km (circular)
  • Duração média: 2 horas
  • Grau de dificuldade: médio

Recomendações

1. Levar:
  • Bom calçado de caminhada, pois o piso é escorregadio, muito irregular e com pedras cheias de arestas (os seus pés vão agradecer!);
  • Uma mochila pequena, para andar com as mãos livres e se poder apoiar nas rochas;
  • Água e comida, como por exemplo: chocolates, barras energéticas, frutos secos e fruta;
  • Chapéu e protetor solar, sobretudo durante o verão;
  • Se for no inverno, bons casacos impermeáveis, porque é normal fazer muito frio;

2. Evitar pisar rochas húmidas, pois são escorregadias;

3. Não sair do trilho sinalizado, já que é fácil perder-se;

4. Não deitar lixo para o chão.

Centro de visitantes

Antes da caminhada, fomos visitar o centro de visitantes para aprendermos mais sobre o parque natural e ficarmos a saber como se formaram estas peculiares rochas. Além de uma interessante área informativa, que explica tudo de forma simples e lúdica, o centro dispõe de: casas de banho, uma loja de recordações, um café-restaurante e, não menos importante, funcionárias simpáticas.

Horário de abertura (todos os dias da semana):
  • 10:00 às 17:00 (Novembro a Março)
  • 10:00 às 19:00 (Abril a Outubro)

Encerrado: 25 de Dezembro, 1 e 6 de Janeiro

Website oficial

www.torcaldeantequera.com

Onde dormimos e comemos

Ficámos alojados e comemos na povoação mais próxima: Villanueva de la Concepción (a 9 Km do parque).

Rincón del Torcal. É uma pequena pensão, com apenas dois quartos (cómodos e quentinhos no inverno), além de uma cozinha e sala-de-estar partilhadas. Quanto pagámos: 59 euros, por um quarto duplo com casa de banho privativa (ainda que fora do quarto) e pequeno-almoço incluído.

Rincon De La Villa. É um restaurante simples e com boa comida, onde comemos das melhores azeitonas de sempre, supostamente feitas pelo pai da cozinheira. Quando as elogiámos, trouxeram-nos outro pratinho cheio delas.

Caminhada feita no dia 17 de Março de 2017

Veja também

1 comentário:

  1. Já fiz este percurso e recomendo vivamente. Mas para além da vossa descrição, adorei as fotos. Estão muito bem conseguidas.
    Também recomendo a visita à cidade de Antequera.
    Posso igualmente acrescentar uma recomendação de estadia no Hotel Los Dolmenes, em Antequera. Considerando a qualidade do local, o preço foi bastante acessível. Continuação de boas viagens.

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