quarta-feira, outubro 12, 2016

Uma praia só para nós

Passámos o verão a desejar ir à praia de Brejos, a 120 km de Lisboa. Deixámos, no entanto, passar os meses mais quentes, porque não gostamos de caminhar com muito calor e chegar a esta praia exige que se ande a pé durante uns quarenta minutos.

Fomos num dia de sol ameno de outono. Estacionámos o carro na pequena aldeia de Brejos da Carregueira e atravessámos a pé os arrozais. Estão amarelos nesta altura do ano, com os grãos de arroz quase prontos para serem colhidos. Nunca os tinha visto assim nem sabia como era a planta onde cresciam. A fazer-nos companhia ao longo do caminho, só os pássaros (muitos) e peixes que saltavam pesados nos canais de água, tão bons a jogar connosco às escondidas que nunca os vimos.

Depois dos arrozais, atravessámos uma zona de amieiros e canas e, logo a seguir, um pinhal, deixando-nos guiar pelo som do mar. Quarenta minutos mais tarde, chegámos à praia. Completamente vazia. Um areal a perder de vista de ambos os lados. Nós sem fatos de banho nem toalhas nem guarda-sol - afinal tínhamos ido apenas pelo passeio, porque já não era verão. Estava calor, todavia, e o mar ali mesmo à nossa frente. O que podíamos fazer senão despir-nos de roupa e preconceitos? Ao princípio, foi uma confusão para mim: de um lado, pensamentos a dizerem-me que não estava a fazer nada de mal, devendo aproveitar o momento; do outro, vergonha e indecisão.

Só quando entrei nua no mar - o que nunca tinha feito - senti a liberdade que guardarei deste dia.


































Como chegámos à praia

Fomos de carro em direção a Alcácer do Sal e saímos no desvio para Tróia. A seguir à Comporta, há um desvio para Brejos da Carregueira. Aí chegados, estacionámos o carro junto ao café da Glória e ao restaurante Gervásio. Seguimos a pé pela estrada sem saída que vai dar aos arrozais. Cruzámos os campos por caminhos de terra até chegarmos à zona dos amieiros e canaviais, continuando em direção ao mar que não se vê, mas ouve-se. Depois dos canaviais, passámos por um pinhal onde descobrimos uma “escultura” de lixo com uma inscrição que dizia: “You forgot something”. Junto a ela, encontrámos um passadiço de lajes de cimento que nos conduziu ao mar.

O trajeto a pé do estacionamento até à praia é fácil, plano e demora cerca de 40 minutos, fazendo-se bem quer de sandálias quer de chinelos da praia. Quem regressar ao final do dia e não quiser ser mordido por mosquitos, deverá levar repelente.

Onde comemos

Quisemos experimentar o restaurante Gervásio, em Brejos da Carregueira, mas estava fechado em Outubro, à semelhança de outros nas proximidades. Voltámos, pois, ao restaurante Dona Bia, na localidade da Torre, onde comemos filetes de peixe-galo com açorda de ovas. Apesar de não ser barato, não nos importamos de pagar um pouco mais quando a comida é (assim) boa.

O que visitar nas proximidades


Passeio realizado no dia 8 de Outubro de 2016

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