quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Ano Novo Chinês - Impressões de uma Portuguesa na China

Gong Hey Fat Choy. Esta é a expressão que, em cantonês, se usa para desejar um bom ano. O Ano Novo Chinês iniciou-se no dia 8 de Fevereiro de 2016 mas, mesmo alguns dias depois, o frenesim não deu sinais de abrandar.

Chamam-lhe Spring Festival e é considerada uma das festividades mais importantes da China. A maioria das famílias aguardou durante meses por este período do ano. Agora que chegou, muitos são os que partem para visitar as suas terras natais. Muitos são os que aguardam nessas terras por um reencontro.

Durante cerca de três semanas as estações ferroviárias entopem-se. Há malas espalhadas por todo o lado. As pessoas mais pobres transportam os seus pertences em grandes baldes e sacos. Nas bilheteiras, as filas são intermináveis. Apesar dos bilhetes para as províncias mais longínquas estarem há muito tempo esgotados, as pessoas aguardam pacientemente por um ingresso. A vontade de partir está patente nos rostos de quem espera. A ansiedade é grande. Ainda assim, os únicos sinais visíveis são apenas alguns encontrões.

Num país tão vasto, as viagens são habitualmente longas e demoradas. Se nos comboios rápidos o tratamento é equivalente ao de um avião, nos comboios mais lentos o cenário muda radicalmente. Nestes comboios, as pessoas acomodam-se como podem. Parecem felizes, conversando por vezes animadamente com quem está ao lado. O movimento nos corredores é, porém, ininterrupto. Periodicamente circulam carrinhos com comida e diversos objetos de entretenimento para venda. Há quem compre um presente para roubar um sorriso à criançada. No entanto, quando a fome aperta, o caos instala-se. Os mais precavidos trazem grandes farnéis e é normal as pessoas comerem, por exemplo, um pernil de porco ou uma taça de noodles no interior das carruagens. O lixo amontoa-se por todo lado. Porém, ninguém parece incomodado!









Os parques e templos são geralmente os locais mais aprazíveis para visitar durante este período do ano. Muitos são os que chegam e ficam para orar. Outros preferem fazer as suas orações na rua, em torno de pequenas fogueiras. Já nas zonas comerciais, o panorama é distinto. Há multidões que deambulam de um lado para o outro. Carregam geralmente bonitos sacos de compras, cuidadosamente embalados. Um olhar mais atento revela, por vezes, coisas simples como ovos ou fruta. Parecem presentes!

Nas ruas, qualquer porta está decorada com lindas lanternas e mensagens para atrair a boa sorte. Além disso, há muitos macacos à solta, não fosse este o seu ano. Os mais supersticiosos colocam estes símbolos inclusive nos carros. Os tons fortes de encarnado invadem as aldeias e as cidades. A cor é também usada no vestuário. São muitos os rituais para atrair a boa sorte. O fogo-de-artifício e os panchões são a manifestação mais ruidosa. Há mais de duas semanas que os estrondos se fazem sentir.

A véspera e a noite do Ano Novo Chinês foram os períodos mais intensos, mas, mesmo passado alguns dias, os festejos parecem continuar!

















2 comentários:

  1. Gostei muito do contraste no texto e nas fotos, numa primeira parte a azáfama do movimento de pessoas (o que inclui pessoas a dormir em posições estranhas ou agarradas aos telemóveis) e numa segunda parte o viver das tradições (a cor vermelha, os panchões, templos, etc.). Parabéns!

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  2. Afinal, alguns dos baldes que as pessoas transportam nas estações servem não para transportar bens, mas para outra coisa! Hoje no “O Homem que mordeu o cão” o Nuno Markl explicou que há quem os use como casa de banho! Na China tudo é possível :(

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