segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Anda connosco visitar Santarém

"Santarém é um livro de pedra em que a mais interessante das nossas crónicas está escrita." (Almeida Garrett)

A minha primeira “grande” viagem sem os meus pais foi a Santarém. Devia ter uns 12 anos. O percurso de Braga até à “Capital do Gótico” pareceu-me nessa altura muito longa, mas deve ter passado depressa, porque ia com os meus amigos da escola. A cidade pareceu-me então muito grande. Devo ter visitado diversos monumentos que contam a nossa história, mas só um local me ficou claramente na memória: o Jardim das Portas do Sol.

Por isso, é pelo jardim-com-o-nome-mais-bonito-de-sempre que começamos este passeio, caminhando pelo espaço amplo com árvores altas, onde um senhor de idade todo vestido de branco passeia de bicicleta enquanto outras pessoas namoram ou conversam numa esplanada. Aproximamo-nos das muralhas que rodeiam o jardim, subimos alguns degraus e, como disse uma criança que ali passeava: “Olha o Rio Tejo. Que lindo!”

Para mim, este é um dos miradouros mais bonitos do nosso país, donde, além do Tejo, se vêem campos agrícolas a perder de vista e a Ponte D. Luís, de 1881, nessa época considerada a maior da Península Ibérica, a 3ª da Europa e a 6ª do mundo.

Se o Jardim das Portas do Sol justifica só por si uma visita a Santarém, há outros pontos de interesse na cidade. Por isso, continuemos a andar que o centro histórico é facilmente percorrido a pé.



No sentido dos ponteiros do relógio: Igreja de São João do Alporão, Jardim das Portas do Sol, Jardim da República, interior e fachada da Igreja de Nossa Senhora da Graça e estátua O Menino e o Pato.

Vamos agora em direção à Igreja de Nossa Senhora da Graça, edificada nos séc. XIV e XV, não sem antes passarmos por uma antiga torre das muralhas que rodeavam Santarém, a Torre das Cabaças, adaptada no séc. XV a torre-relógio.

Chegados à igreja, observamos a sua fachada gótica, com uma rosácea e pórtico bordados em pedra, entrando depois com uns turistas brasileiros no seu interior. A sua excitação deve-se ao facto de aí estar sepultado Pedro Álvares Cabral (descobridor do Brasil). Deixámo-los a tirar “selfies” junto ao túmulo e vamos ver a Casa Brasil, na esquina oposta à igreja, onde viveu a família do famoso navegador. Não entramos, mas quem tiver interesse poderá aí recordar a relação de Santarém com os Descobrimentos e particularmente com o Brasil.

Queremos agora ver outra igreja, a de Nossa Senhora de Marvila, conhecida como a "Catedral do Azulejo” em Portugal, para mim uma das mais bonitas que temos.



Em cima: Igreja de Nossa Senhora de Marvila. Em baixo: escultura Pega de Caras, no Jardim da Liberdade. 

Santarém é, aliás, muito interessante para qualquer apreciador de azulejos. Enquanto andamos pelo centro histórico, atravessando ruas como a Serpa Pinto, a 1º de Dezembro ou a Capelo e Ivens, somos cativados por fachadas cheias de exemplares antigos. Algumas casas estão infelizmente degradadas ou praticamente em ruínas. Não é, pois, de admirar que esta parte da cidade também esteja aos poucos a ser abandonada, sobretudo pelos jovens, que quase não se vêem por ali.

Seguindo pela Rua Serpa Pinto, vamos ter à Praça Sá de Bandeira, onde fica a Sé Catedral, construída nos séc. XVII e XVIII sobre as ruínas do Paço Real, bem como a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, que não visitamos por estarem fechadas.

Haveria muitas outras igrejas para ver, como por exemplo a Igreja de Santo Estevão (Santuário do Santíssimo Milagre), uma das mais importantes para os escalabitanos, e o Convento de S. Francisco, onde está sepultado o rei D. Fernando e na qual D. João II foi aclamado rei.



Em cima: Sé Catedral. Em baixo: entrada principal do Mercado Municipal.

É, porém, para o Mercado Municipal (1928) que nos encaminhamos por fim. E lá estão, mais uma vez, os azulejos, belíssimos, estes da Fábrica de Sacavém. Damos a volta ao edifício, devagar, para apreciar os painéis que decoram as fachadas, uns ilustrando paisagens ribatejanas, outros as principais atividades pecuárias da região.

Para o almoço, recomendam-nos bacalhau assado com magusto (ou mangusto), um prato tradicional confecionado com couve, pão, azeite e alho, podendo também levar feijão. Gostámos, pena foi que o magusto não estivesse muito quente e que o dono do restaurante nos tivesse dito que tinha sido confecionado no dia anterior, para assim ficar mais saboroso.





Passeio realizado no sábado, 23 de Janeiro de 2016

1 comentário:

  1. Uma cidade que é também um pouco minha!! Fico sempre muito orgulhosa quando vejo post's sobre o Ribatejo! Espero que tenham gostado e que voltem! :)

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