segunda-feira, agosto 10, 2015

Aventura em Fuerteventura

A segunda maior ilha do arquipélago das Canárias, e geologicamente a mais antiga, é Fuerteventura. Dominada por áridos (mas belos) picos alaranjados de antigos vulcões e praias solitárias com grandes areais, é uma das mais procuradas por portugueses naquelas paragens do oceano Atlântico.

Situada a pouco mais de 15 km de Lanzarote, onde ficámos alojados, aproveitámos um dos dias para fazer a travessia de "ferry" e dar uma volta na ilha, levando connosco o carro alugado.



Na viagem de avião para Lanzarote, tínhamos tido a companhia de Juan, um orgulhoso canário de Fuerteventura que regressava de umas férias em Malta. Sem que nós tivessemos pedido, ofereceu-se para nos dar sugestões sobre sítios a não perder na sua terra natal. Efusivamente insistia que não podíamos perder Corralejo, pois era o melhor lugar para um pezinho de dança. Tiro completamente ao lado para dois pés-de-chumbo como nós! Mais tarde, confirmámos que Corralejo, repleto de néons, "fish and chips" e música alta por todo o lado não era certamente o que procurávamos nas Canárias.

O passeio pela zona das praias e dunas de areia dourada foi rápido. Parámos apenas para espernear um pouco naquela imensidão que mais parecia um deserto. Depressa percebemos a razão do nome da ilha. “Fuerte ventura” significa ventos fortes. A nossa viagem foi em Novembro e as praias não convidavam a banhos. Certamente que durante as estações mais quentes o cenário é diferente.

E as cabras? Tínhamos lido que esta era a ilha das cabras. Que havia mais cabras do que habitantes. Porém, destes resistentes animais só vimos ilustrações numa bela placa no início de uma aldeia e no prato, tendo sido esse o nosso almoço.





É prazeroso conduzir nas estradas em bom estado de Fuerteventura, quer pelas planicies áridas quer pelas que serpenteiam montanhas que outrora foram vulcões, como é o caso da FV-30, a única via que permite aceder à remota povoação de Betancuria e ao miradouro de Morro Velosa.

Betancuria

Foi a primeira capital da ilha e na origem do seu nome terá estado o comandante da expedição, Jean de Bethencourt, que conquistou o território aos “nativos”. A igreja matriz ainda existe e aí bem perto, junto à Plaza Santa María de Betancuria, poderá encontrar o restaurante Casa Santa Maria, onde almoçámos um delicioso prato de cabrito no forno. Nos pátios interiores ajardinados desta casa secular estão dispostas várias mesas, onde são servidas refeições e bebidas frescas.



Os turistas dos "resorts" embarcam facilmente em excursões que os levam a visitar estes locais mais “culturais”. Assim, quando chegámos para almoçar, havia uma multidão de pessoas que entravam e saíam da igreja, das lojinhas e também do dito restaurante, sem grande intenção nítida de almoçar, apenas para espreitarem os belos pátios interiores. Um senhor já com alguma idade (dono do restaurante, viemos mais tarde a saber) parecia um pouco irritado com aquele frenesim, acabando por barrar a entrada a um grupo com esta pergunta: “Diga-me por favor, que desean?” - à qual alguns se limitaram a dizer: “English? English?”. O senhor insistiu determinado: “Aquí se habla castellano!” acabando por fazer com que o grupinho abandonasse o local. Quando chegou a nossa vez, fomos muito bem atendidos e com toda a simpatia.


Miradouro de Morro Velosa

É considerado um dos miradouros mais espetaculares de Fuerteventura. Com uma magnífica vista panorâmica a 650 metros de altura, pode-se observar toda a região norte da ilha até Corralejo e, em dias de boa visibilidade, pode-se mesmo avistar a vizinha ilha de Lanzarote. Neste local, pode-se ainda sentir a verdadeira dinâmica do vento de Fuerteventura, pelo que um agasalho não estorva nada.





Na zona do miradouro, encontram-se também duas estátuas gigantes, supostamente de Guize e Ayoza, os dois primeiros governadores da ilha, muito antes da conquista espanhola, no século XV.


Casa de los Coroneles

No século XVIII, devido à escassez de terra arável, a família Cabrera-Bethencourt mudou-se de Betancuria para La Olivia, uma pequena vila no interiror da ilha, rodeada de picos vulcânicos. Aí construiu a Casa de los Coroneles, um monumento histórico emblemático das Canárias, por ter sido residência oficial dos coronéis, que exerceram o domínio militar da ilha. Hoje convertida num centro cultural, o que mais me cativou foram as fotos de época que mostravam como as pessoas viviam e trabalhavam os campos.





Fuerteventura fica a cerca de 100 km da costa africana e é com este continente que mais se assemelha. Está repleta de paisagens com grandes planícies, interrompidas por cones vulcânicos de cores quentes. As suas praias são as maiores e mais famosas de todas as Canárias e as preferidas de quem pratica desportos náuticos puxados a vento.



Para quem ficar em Lanzarote, vale a pena passar um dia em Fuerteventura a dar uma voltinha pelos pontos que referi. Se optar por ficar nesta última ilha, também vale a pena ir a Lanzarote, dada a facilidade com que se viaja entre as duas ilhas.

Há ligações regulares de ferry entre as localidades de Playa Blanca (Lanzarote) e Corralejo (Fuerteventura). A travessia, assegurada pelas companhias Fred OlsenNaviera Armas, demora 30 minutos.

Playa Sotavento, Fuerteventura - © Dirk Vorderstraße

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