sexta-feira, maio 15, 2015

Monte Perdido nos Pirinéus

Revejo-nos naquela noite: tu, cansado, depois de um longo dia a conduzir pelos Pirinéus, para tirarmos o máximo partido dos dias em que nos sentimos mais vivos; eu, em silêncio, a sentir-me culpada por te ter convencido a passarmos a noite num local tão longínquo e isolado.

As casas e as luzes foram desaparecendo, as pessoas ficando para trás. O sol pôs-se e as montanhas imensas transformaram-se em sombras cada vez mais opressivas. Seguimos, calados e sós, por uma estrada cheia de curvas e árvores que nunca mais chegava ao fim. Só quando chegámos ao Parador de Bielsa e entrámos no nosso quarto - que parecia uma cabana de madeira daquelas com que os filmes nos fazem sonhar - te confessei o meu terror. Fechei a janela para as sombras não entrarem e adormeci junto a ti. No dia seguinte, ri-me quando vi do que tive medo.







Com 3.355 metros de altitude, o Monte Perdido é o terceiro pico mais alto dos Pirinéus e o maciço calcário mais alto da Europa. Faz parte do Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido, um dos mais visitados de Espanha. Aqui, imponentes montanhas cinzentas pintadas de neve contrastam com bosques de pinheiros e faias, ao som da água a correr por rios pedregosos.

O acesso de carro à base do Monte Perdido faz-se ao longo do estreito e extenso Vale de Pineta. No final da estrada, fica o Parador de Bielsa, considerado um dos alojamentos com melhores vistas de Espanha. Os quartos, inteiramente forrados a madeira, fazem lembrar cabanas de montanha e, tanto no bar como no restaurante, se podem provar produtos típicos do Alto Aragão.

Situada a 200 metros do acesso ao Parque Nacional, a pousada é também o refúgio perfeito para os amantes da natureza, havendo vários percursos pedestres assinalados. Quem desejar fazer um passeio leve poderá, como nós, optar pelo trilho circular até Llanos de La Larri, com vistas soberbas sobre o Monte Perdido e os picos circundantes.











Viagem realizada em finais de Março de 2015

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