sexta-feira, abril 10, 2015

As melhores experiências em S. Miguel (para quem procura sossego)

Numa altura em que as companhias aéreas “low cost” já começaram a voar para Ponta Delgada, aqui ficam algumas das melhores coisas que se podem fazer em S. Miguel - a maior ilha do arquipélago - todas testadas pessoalmente por nós.

Uma advertência: detestamos multidões, barulho e confusão. Se é disso que gosta, não continue a ler, porque este artigo não é para si.


1. Passear no Parque Terra Nostra

É um dos jardins botânicos mais bonitos de Portugal e recentemente foi considerado um dos mais belos do mundo. Fica no Vale das Furnas, a cerca de 48 km de Ponta Delgada.

Provavelmente não se aperceberá, mas o vale é, na verdade, a cratera de um vulcão adormecido desde 1630. Assim se explica a existência de locais onde a terra borbulha, fumarolas, vapores que servem para fazer um famoso cozido debaixo da terra e piscinas naturais de água quente onde se podem tomar banhos inesquecíveis.







Mas voltemos ao jardim: para se orientar, à entrada dar-lhe-ão um roteiro consoante a estação do ano. Tem cerca de 3 km e demora aproximadamente 1h30 a ser percorrido. Seguindo-o, passará por lagos, grutas e recantos românticos, além de flores, plantas e árvores, umas nativas dos Açores, outras oriundas de diversas partes do mundo. Há uma coleção de fetos enormes, mais de 600 exemplares de camélias, um inesperado jardim de bambus e até um canteiro com sorridentes animais de pedra, cobertos por trepadeiras.

A grande atração, porém, é o Tanque de Água Termal.

2. Banhos em águas quentes



O lago do Parque Terra Nostra é um dos ex-libris dos Açores e um dos momentos mais especiais que se podem viver em S. Miguel. Alimentado por uma nascente de água termal, a uma temperatura entre os 35 e 40º C, proporciona uma sensação de satisfação única. Há balneários para trocar de roupa e se passar por água limpa. A do lago é ferruginosa, por isso convém usar um fato de banho velho, pois vai ficar tingido de castanho.

Há outros locais onde se podem tomar banhos quentes na ilha, nomeadamente o Poço da D. Beija e a Caldeira Velha. O primeiro também se situa no Vale das Furnas. O segundo fica nas imediações da Lagoa do Fogo e é um parque natural com duas piscinas termais, uma das quais alimentada por uma cascata, numa envolvência exótica onde sobressaem fetos gigantes.

À semelhança do Terra Nostra, as entradas nestes espaços são pagas, com o inconveniente de serem piscinas muito mais pequenas e com pouca privacidade - sobretudo quando chega um grupo de turistas que não faz intenção de tomar banho, ficando a olhar mais ou menos pasmado para si dentro da água. Lá se vai a sensação de relaxamento...



Se não quiser gastar dinheiro, pode rumar à Ponta da Ferraria, no extremo sudoeste da ilha, onde existe uma piscina natural no mar, com água morna de origem vulcânica. Alternativamente, na mesma zona, há um "spa" termal apetecível e mais recatado, mas pago.

3. Levantar pó ao redor da caldeira das Sete Cidades



Acabados de chegar da ilha das Flores, onde tínhamos as paisagens praticamente só para nós e as vaquinhas pareciam felizes, ficamos chocados ao aproximarmo-nos do Miradouro da Vista do Rei, donde se vê a lagoa mais famosa de S. Miguel. Roulotes com farturas, camionetas de turistas, barracas com lembranças - de repente, a imagem idílica que tínhamos do maior lago de água doce dos Açores esbateu-se em desilusão.

Dirigimo-nos, assim, à povoação das Sete Cidades, no interior da cratera vulcânica que alberga as famosas lagoas verde e azul. Aí visitámos a igreja de S. Nicolau e espreitámos o túnel que serve para nivelar as águas do lago, evitando o risco de cheias na freguesia.

Ainda insatisfeitos, foi só quando nos aventurámos pelas estradas onde decorre o rali dos Açores, na borda da caldeira das Sete Cidades, que demos com as vistas e o sossego que há tanto procurávamos. Confesso que tive algum medo das estradas não pavimentadas e íngremes, mas valeu a pena.

4. Miradouro do Canário



As vistas anteriores só foram superadas pelas deste miradouro. De fotografia na mão, perguntámos a vários micaelenses se conheciam o local e se nos podiam indicar o caminho. Foi só no último dia, no posto de turismo de Ponta Delgada, que nos garantiram que ficava no Parque da Lagoa do Canário, havendo indicações no local. É ainda mais bonito ao vivo do que nas fotos.

5. Lagoas do Fogo e do Congro



As lagoas são mais fotogénicas em dias de sol, já que este realça as cores da água. Talvez por isso, a de que mais gostei em S. Miguel foi a do Fogo, a que os locais dizem que não vale a pena ir se de Ponta Delgada se avistarem nuvens naquela direção. Para quem gosta de caminhar, há um percurso (4 km, ida e volta) do Miradouro da Serra da Barroca até ao fundo da lagoa, onde se pode tomar banho.

Mais curta é a caminhada, por uma floresta, para se chegar à pouco conhecida e invulgar Lagoa do Congro, cuja água e envolvência são totalmente verdes.


6. Passear a pé pelas capitais da ilha

Vila Franca do Campo foi a primeira capital de S. Miguel e encanta mal se chega ao centro bem recuperado e se dá com a igreja matriz. A 1 km da costa, fica o Ilhéu de Vila Franca do Campo, uma reserva natural com uma enseada de água salgada no interior, na qual se pode nadar. O acesso ao rochedo é fácil, através de um barco que opera regularmente a partir do porto.



Quando, no séc. XVI, Vila Franca do Campo sofreu um grande terramoto, a capital passou a ser Ponta Delgada. Uma manhã ou uma tarde serão suficientes para percorrer a marina e o centro histórico, onde se destacam as Portas da Cidade, a igreja matriz de S. Sebastião e o Convento de Nossa Senhora da Esperança. Depois é deixar-se levar pela calçada portuguesa com desenhos a preto e branco e surpreender-se com os graffiti espalhados pela cidade, graças ao Walk & Talk Azores, um festival de arte pública que anualmente recebe artistas de rua de todo o mundo.




Onde comemos

O Alcides

Famoso pelos seus bifes, fica bem no centro de Ponta Delgada. Se eu gostei, o Paulo ficou pouco convencido com a carne, sobretudo tendo em conta o preço.

Restaurante Tony’s

Foi onde provámos o cozido das Furnas. A saborosa dose para dois dava para meia dúzia de pessoas. No verão, convém chegar cedo ou reservar com antecedência.

Restaurante A Traineira

Peixe fresco grelhado no seu melhor.


O que provámos

Cozido das Furnas

Feito debaixo da terra, é provavelmente o prato mais famoso dos Açores.

Espigas de milho

Vendidas nas ruas da povoação das Furnas, são cozidas em poças naturais de água a ferver, dentro de grandes sacos. Se ficou a rebentar com o cozido, convém ter cuidado, não vá o excesso de comida e o cheiro a ovos podres do enxofre dar-lhe a volta à barriga, como a um menino gordinho que vimos, incentivado alegremente pelos pais a deitar tudo cá para fora.

Bolos lêvedos

Outra especialidade gastronómica do Vale das Furnas. Uma espécie de pão achatado e adocicado que se pode comer simples ou como sandes.

Chá Gorreana

Para não lhe acontecer como ao menino, poderá beber o chá verde produzido na ilha, cujas plantações e fábrica se podem visitar sem qualquer custo. É muito digestivo e tem um efeito relaxante.

Veja

Um peixe que nos disseram ser "vulcânico", delicioso grelhado e bem fresquinho.

Ananás dos Açores

É possível visitar gratuitamente algumas das estufas onde cresce o afamado fruto. O licor também é docinho e muito bom.

Queijadas de Vila Franca do Campo

A especialidade doce da ilha.

Veja também

12 comentários:

  1. Tudo recomendável, e felizmente falta muito mais. Acho que importa referir que a Poça da D.Beija está aberta até às 11 da noite, e recomendaria a caminhada do Salto do Prego.

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    1. Obrigada pelas dicas adicionais. Serão certamente muito úteis a quem quiser visitar S. Miguel. Como disse, "felizmente falta muito mais". É importante dar espaço ao leitor para fazer as suas próprias descobertas. Além disso, só escrevemos sobre as coisas que experimentámos e estas são apenas as nossas preferências pessoais.

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  2. O Salto do Prego é de facto um sítio a assinalar. Descobrir a aldeia do Sanguinho é uma surpresa muito agradável. Outra das surpresas é o Ilhéu de Vila Franca. O local é ideal para o snorkeling. Depois de entrar na água, o difícil é sair. A cada mergulho, descobrem-se novas espécies de peixes, alguns bem grandes,... Como o número de entradas no ilhéu é limitado, para lá ir o melhor é madrugar. Em Agosto, a fila para o barco era extensa.

    Para comer, acrescentaria também o "Cantinho do Cais". Os ex-libris da casa é a "sopa de peixe" e o "molho de peixe". Os melhores que comi até à data. A decoração é simples, o atentimento agradável, e o preço, face à qualidade, barato. Sabe bem parar aqui para jantar, especialmente depois de uma caminhada nas plantações de chá ao final da tarde.

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    1. Já anotámos as sugestões para uma próxima visita a S. Miguel. Obrigada!

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  3. E para dormir porque não experimentar uma das Casas da Tradicampo no nordeste da Ilha?

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  4. Será possivel visitar a ilha sem recorrer ao aluguer de carro? Atraves de autocarros locais por exemplo...ou ficariamos muito limitados a vistar só algumas zonas?

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    1. Paulo, não temos qualquer conhecimento sobre os transportes públicos nos Açores, como tal não podemos ajudar.

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    2. Se me permitem, posso dar uma achega... É possível visitar alguns dos lugares emblemáticos da ilha sem alugar carro, mas ficariam bastante limitados. Pois, para além de perderem demasiado tempo com as deslocações, as mudanças de autocarros e as esperas pelos mesmos, também deixariam de poder visitar alguns dos lugares mais emblemáticos, como, por exemplo, a Lagoa do Fogo. Podem sempre juntar-se a excursões e fazer alguns dos passeios "obrigatórios". Contudo, se pretendem visitar com calma e ao vosso ritmo, o melhor mesmo é alugar carro.
      Marta Pimentel, São Miguel Açores

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  5. Em termos de alojamento recomendam ficar sempre no mesmo hotel ou ficar em diferentes zonas da ilha, por exemplo, 2/3 dias em Ponta Delgada, Ponta Garça e Algarvia?

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    1. Nós ficámos sempre no mesmo hotel em Ponta Delgada e não nos demos mal. A ilha é pequena, não se justificando, na nossa opinião, o transtorno de estar sempre a mudar de alojamento.

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  6. Onde comer ? bem barato e com qualidade?

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    1. É uma boa pergunta. No entanto, os restaurantes que recomendamos são os que constam do artigo, já que são locais onde efetivamente estivemos.

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