segunda-feira, janeiro 05, 2015

Las Médulas, provavelmente as minas mais bonitas do mundo

No dia 26 de Dezembro, precisados de fugir da rotina diária, fomos à descoberta das maiores minas de ouro a céu aberto do Império Romano, merecidamente declaradas Património da Humanidade devido à sua beleza e interesse cultural único.



As minas situam-se aqui ao lado, na província espanhola de Leão. Foram cerca de duas horas de carro a partir de Chaves, por estradas ladeadas de montanhas, muitas vezes escondidas pelo nevoeiro, até chegarmos ao Miradouro de Orellán, de onde se tem a melhor vista sobre o local.

Miradouro de Orellán

As indicações para o miradouro estão bem assinaladas e o acesso de carro é fácil, por uma estrada asfaltada. Todavia, à medida que nos aproximámos do destino, a neblina intensificou-se.



Se, por um lado, viajar no inverno tem destes riscos, por outro oferece recompensas inesperadas. É que, após uma curta subida a pé desde o parque de estacionamento, aguardava-nos uma vista fabulosa sobre a paisagem singular de “Las Médulas”, ainda mais bonita nesse dia por causa das nuvens presas nas montanhas mais longínquas.



É deste miradouro que melhor nos apercebemos da grandiosidade da obra dos romanos e do impacto que causaram na natureza. Na verdade, os fotogénicos pináculos alaranjados que se vêem no meio dos bosques não são naturais. São, antes, o que restou das montanhas após 200 anos de exploração mineira, mais propriamente desde finais do séc. I a.C. até finais do séc. II d.C.


Mas como é que as montanhas ficaram assim?

À semelhança das outras minas em que se perfura a terra para dela se extraírem metais preciosos, em Las Médulas também se cavaram túneis e galerias dentro das montanhas, mas para as encher progressivamente de água.

Graças à construção de uma extensa rede de canais que ainda hoje existe, a água era conduzida das zonas mais elevadas e acumulada dentro das montanhas de argila. A sua força acabava por rebentá-las, permitindo assim aceder ao ouro que existia no seu interior, técnica a que os romanos chamaram Ruina Montium (colapso do monte).

Na fase seguinte, utilizava-se mais água para lavar os amontoados desfeitos e canalizar a lama por umas calhas de madeira onde se filtrava o ouro. A acumulação dos excedentes daí resultantes está na origem de Carucedo e Sumido, dois lagos artificiais que ainda existem nas proximidades, aos quais se pode ir a pé.

Se atualmente não resta nenhuma Ruina Montium completa, algumas galerias e túneis das minas são ainda visíveis, sobretudo descendo à aldeia de Las Médulas e seguindo a pé um trilho pelo meio dos cumes alienígenas.




Senda de Las Valiñas

  • Tipo: circular
  • Extensão: 4 km
  • Duração: 01h30
  • Dificuldade: baixa

O trilho de Las Valiñas é um dos cinco percursos pedestres disponíveis para se ver de perto Las Médulas e provavelmente aquele que melhor lhe permitirá conhecer as maiores minas do mundo romano, já que percorre a principal zona de exploração mineira.

A rota parte da pacata aldeia de Las Médulas e, por ser uma pequena povoação, pensámos que não seria difícil descobrir o seu início. Mas onde é que é mesmo? Se virem um pastor de galinhas com um pau na mão, não temam. Provavelmente dir-vos-á que é um homem mau e que vos vai bater com o pau. Gritem-lhe bem alto que procuram o início do trilho. Ele saberá indicar-vos o caminho apesar de ouvir muito mal.

As principais atrações deste itinerário são La Cuevona e La Cueva Encantada, duas grutas misteriosas com cerca de 30 metros de altura, que lhe permitirão observar de perto o resultado das minas e compreender a sua verdadeira dimensão.





De resto, todo o percurso é um prazer para os olhos e para o olfato. Para além dos grandiosos picos de terra alaranjada, passeará pelo meio de bosques de castanheiros seculares, com enormes troncos de formas estranhas e retorcidas. Se não fizer a viagem no inverno como nós, terá a vantagem de ver as árvores introduzidas pelos romanos cheias de folhas, realçando ainda mais o dourado das montanhas.






Onde comer e dormir

Caso opte por ficar em Las Médulas, há restaurantes com pratos típicos da região a preços acessíveis, assim como a possibilidade de alojamento na aldeia.



Mapa com a localização de Las Médulas

2 comentários:

  1. Olá Sofia: mais uma grande partilha e um excelente trabalho fotográfico. Já está anotado para uma próxima viagem por estas paragens.

    ResponderEliminar