quarta-feira, outubro 29, 2014

O que visitar no Faial, a ilha Azul

Chegámos ao Faial ao início da tarde, cansados da subida ao Pico no dia anterior e desanimados pela previsão de continuação de chuva. Por isso, quando nos instalámos no quarto do hotel, só me apetecia deitar-me na cama e ficar ali a ler. Poucos minutos depois, caiu uma chuva tão forte que pude acalmar a culpa de estar a desperdiçar o pouco tempo que passaria naquela ilha.

Embora sentisse  as pernas doridas e o corpo moído, vendo a impaciência e a ansiedade do meu companheiro de viagem em explorar a ilha, acabei por sair. A chuva, porém, caía teimosamente e nesse dia tudo me pareceu tristonho, envolto numa bruma desoladora.

Foi só no dia seguinte, com o corpo a recuperar lentamente e o sol a brilhar, que comecei a apreciar devidamente a ilha. Primeiro devagarinho, sentindo o o cheiro fresco da terra molhada pela chuva que entrava pelas janelas abertas do quarto; a seguir, deliciando-me com as compotas caseiras feitas com bagas colhidas naquele inverno; depois reparando na vegetação exuberante da quinta onde passáramos a noite e na beleza das flores espalhadas por todo o lado (onde estavam no dia anterior?); e, por fim, já na estrada, avistámos repentinamente o colosso avassalador que estava mesmo à nossa frente. Senti uma emoção enorme porque, apesar de ter conseguido chegar ao topo da montanha mais alta de Portugal, ainda não tinha conseguido vê-la.

Para além das vistas fantásticas para o Pico, há três locais a não perder no Faial. São eles:

1. A cidade da Horta

Marina da Horta com o colosso ao fundo
Não deixe de passear na marina, famosa por ser o ponto de paragem dos barcos que atravessam o Oceano Atlântico. Pode fazer como eu e tentar adivinhar a nacionalidade dos marinheiros com que se cruzar no caminho ou, se for mais desinibido, meter conversa com algum e, quem sabe, ouvir as histórias que guardaram para lhe contar. Delicie-se também com as pinturas coloridas que muitos deles deixaram nos muros do porto, para assinalar a sua viagem.

Outro local emblemático na capital do Faial é o Peter Café Sport, onde mais uma vez se verá rodeado por navegadores. A tradição obriga a beber um "gin do mar" e, se quiser comer alguma coisa, experimente as tostas de queijo com ananás. Ao contrário do  que poderá pensar, os preços são bastante acessíveis.

Horta vista da Ponta da Espalamaca
Para as melhores vistas da cidade, suba ao Monte da Guia (um antigo vulcão com origem no mar que se juntou à ilha do Faial, donde também terá uma excelente panorâmica sobre a Baía de Porto Pim) ou então rume à Ponta da Espalamaca, do outro lado da povoação, para observar o movimento da marina.

2. O Vulcão dos Capelinhos

Capelinhos surreais
O Vulcão dos Capelinhos teve origem numa erupção submarina em 1957 e esteve em actividade durante 13 meses, daí resultando uma paisagem agreste e invulgar.

Se quiser conhecer a origem e a evolução do vulcão, poderá visitar o seu Centro de Interpretação, edificado no subsolo. Por sua vez, a subida ao farol oferece uma deslumbrante panorâmica sobre o vulcão e cenário envolvente.

Se gosta de caminhar, poderá fazer o trilho "Subida ao Vulcão":


Atenção: o trilho é de acesso limitado e deverá efetuar o registo da sua subida no Centro de Interpretação. Se desejar, também poderá marcar previamente uma visita acompanhado por um guia.

3. A Caldeira

Em contemplação na Caldeira
Situada no centro do Faial, a Caldeira é a enorme cratera do vulcão que esteve na origem da ilha. Estaciona-se o carro num parque, sobem-se alguns degraus e atravessa-se um túnel escuro. Depois é um deslumbramento: temos a caldeira toda à nossa frente, muito maior do que tínhamos imaginado e muito mais bonita do que qualquer foto que tenhamos visto. Encanta todo o verde que a cobre, as pequenas lagoas no fundo, o nevoeiro a brincar connosco às escondidas. As pessoas sussurram à nossa volta, para não quebrar a magia que se sente em lugares assim, onde se impõe o silêncio.

Abro bem os olhos e depois fecho-os, tentando guardar a imagem daquele lugar para sempre dentro de mim.

Atenção: não é permitido descer ao fundo da caldeira, por albergar populações raras de flora endémica dos Açores, mas poderá optar por fazer todo ou parte do trilho pedestre que a circunda.

Trilho - Caldeira:


Mais feliz e animada perante o nevoeiro

Restaurantes

O nosso preferido foi o Salgueirinha, na Feteira, com destaque para a melhor massada de peixe que comemos até hoje.

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1 comentário:

  1. Os Açores são a minha perdição, principalmente o grupo central, estou a adorar as vossas histórias e fotografias. Bem hajam!

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