sexta-feira, setembro 26, 2014

Subida à montanha mais alta de Portugal e outras atrações na ilha do Pico

Um dia quero voltar ao Pico não só para fazer as pazes com a montanha mais alta de Portugal, mas também para visitar os locais que não consegui ver durante os três dias que passámos na ilha.

A subida ao Pico

  • Dificuldade: alta (sobretudo a descida);
  • Tempo médio: 7 horas (ida e volta);
  • Início do percurso: Casa da Montanha;
  • Guias de montanha: dispensáveis se não fizer o percurso sozinho, uma vez que o trilho está devidamente assinalado por marcos com cerca de um metro de altura. Além disso, na Casa da Montanha, dão-lhe um GPS que permite saber a sua localização, facilitando eventuais operações de socorro;
  • A levar: roupa e calçado impermeáveis, agasalhos, água e alguma comida energética (evite ir muito carregado).

O Majestoso!
Subir ao ponto mais alto de Portugal estava entre os meus principais objetivos quando decidi visitar os Açores. Esta foi, porém, a parte mais difícil e ingrata de toda a viagem.

Partimos da Casa da Montanha, onde se faz o registo e controlo das subidas, por volta das 10 horas da manhã, de forma a almoçarmos lá em cima. Os voluntários que aí trabalhavam disseram-nos que o tempo estava mau, como já nos tinham avisado num café local, numa queijaria, na cooperativa de vinhos do Pico. Por que é que então decidimos avançar montanha acima, por entre nevoeiro e vento intensos? Porque não é todos os dias que se tem a oportunidade de caminhar até ao cimo da montanha mais alta do nosso país. Porque queríamos dizer que o tínhamos conseguido. Porque nos queríamos superar. Porque tínhamos esperança que o tempo melhorasse e o sol abrisse uma paisagem inesquecível. Além disso, no dia anterior, as condições atmosféricas tinham estado ainda piores e só nos restava aquela oportunidade.

Gostaria de dizer que valeu a pena e que foi uma experiência fantástica. A verdade, porém, é que acabei o percurso toda molhada, tão molhada que as calças que levava faziam espuma ao andar, travando-me os movimentos, e me caíam com o peso (tinha de estar sempre a puxá-las para cima); escorreguei algumas vezes na descida, devido às pedras soltas e ao vento intenso; chorei de nervos e frustração; e durante todo o percurso não consegui ver mais do que uns metros além do nevoeiro cerrado.

Por tudo isto, posso dizer que a melhor parte do percurso foi mesmo alcançar a Casa da Montanha e depois entrar no carro, chegar ao quarto, despir-me e meter-me debaixo do chuveiro de água quente.

A prova do desafio superado

O que visitámos mais na ilha

Vinhas do Pico

Em 2004, a Paisagem da Cultura da Vinha foi declarada património mundial pela UNESCO, um reconhecimento merecido ao trabalho árduo do homem do Pico que construiu à mão uma extensa área de "currais", ou seja, pequenas parcelas retangulares de terra, cercadas por muros, ideais para a cultura da vinha.

Panorâmica das vinhas do Pico
Museu do Vinho: como estava a chover, decidimos começar a nossa descoberta das vinhas por aqui, pouco convencidos de que valeria a pena e contrariados por não podermos, como desejávamos, andar nos campos de lava onde são plantadas. Graças à visita, porém, soube da maldição da terra do Pico, isto é, que apenas 3,4% do solo da ilha era arável e que "foi preciso partir lava, quebrar rochas, furar o solo pedregoso, fazer caminhos e construir uma teia interminável de abrigos para proteger as videiras". Mais tarde, ao olhar para os muros de pedra que as protegem do vento, dei muito mais valor ao engenho e à tenacidade dos homens que as têm plantado desde o séc. XV. Ao mesmo tempo, senti-me feliz por o vinho ter finalmente o nome desta ilha, quando dantes se chamava Vinho do Faial, devido ao facto dos donos das quintas serem originários daquela ilha. Procurem no museu uma maquete pequenina de madeira, onde estão sentados dois senhores numa sala e carreguem no botão. Foi a parte de que mais gostei no museu.

Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico: conhecida a história e o modo como é cultivado, fomos ver onde se produz o famoso vinho. Depois de uma breve visita às instalalções, tivemos oportunidade de provar vários vinhos e de sentir, com o nosso próprio palato, por que é que faziam as delícias dos Czares russos.

Lajes do Pico: Estivemos quase para não visitar esta localidade, porque não tencionávamos fazer nenhum passeio de barco para observar baleias nem visitar o Museu dos Baleeiros, que constituem as suas grandes atrações. Fizemos um desvio de carro por acaso, para fazer horas para o jantar, e ficámos encantados. É, para mim, a povoação mais bonita da ilha.


De carro

Vale a pena dar a volta à ilha e descobrir por si próprio alguns pontos de interesse. Nós, por exemplo, encontrámos alguns dos tradicionais moinhos de vento vermelhos e a Furna de Frei Matias, um túnel de lava, de acesso livre, que explorámos sozinhos e onde tirámos fotos memoráveis;
Os típicos moinhos vermelhos
Entrada da Furna do Frei Matias
Caso o tempo esteja bom e sem nuvens, há uma estrada, a "longitudinal", que atravessa a ilha a meio, donde se têm boas vistas para a montanha do Pico e junto à qual há algumas lagoas onde vale a pena parar. Provavelmente tê-las-á só para si. Aproveite.

Na longitudinal

Se tivéssemos tido tempo

Trilho: Vinhas da Criação Velha

A BootsnALL, editora de guias de viagem independentes, considerou este percurso pedestre "um dos oito trilhos únicos do mundo".

Museu dos Baleeiros

Teria sido interessante visitá-lo para percebermos melhor a importância da indústria baleeira na ilha do Pico.

Gruta das Torres

É o maior tubo lávico conhecido em Portugal. Para quem o quiser explorar, convém reservar com antecedência por telefone. A visita demora cerca de uma hora e faz-se na companhia de um guia especializado.

Ilha de São Jorge ao longe

Restaurantes 

  • Ramo Grande Steakhouse: situado na bonita vila da Madalena, foi onde comemos o melhor bife dos Açores; 
  • Por falar em bife, neste comemos o melhor de atum: Restaurante Marisqueira de S. João;
  • Restaurante Ponta da Ilha: situado na localidade com o mesmo nome, foi-nos indicado por uma amiga que nos recomendou que provássemos os filetes de Veja numa próxima visita à ilha.

A seguir, vamos para o Faial. É um saltinho: 30 minutos de barco e estamos lá.

Veja também

12 comentários:

  1. Olá! Parabéns pelo blog! As fotos são fenomenais!
    Sobre o Pico, vale muito a pena a subida já se sabe, mas se vos fizer sentir melhor, antes de o subir a 1a vez, passei vários verões a olhar para ele à espera de condições metereológicas favoráveis :-)

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  2. Muito bom roteiro,vou guiar-me por ele!Recomenda algum local onde possamos deixar o carro para fazer o percurso do Pico?Obrigada

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    1. Obrigado. O carro deverá ficar estacionado na Casa de Montanha, que é exatamente o lugar onde irá iniciar o percurso.

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  3. Olá! Como picaroto (natural da ilha do Pico), é sempre com muito orgulho que gosto de ver divulgada a minha ilha. Contudo, noto que o artigo tem muitos verbos no condicional (gostaria, teria, etc.). Sendo certo que o objetivo da viagem era a subida à montanha mais alta de Portugal, o Pico tem muito para oferecer (aliás, com os seus 444,97 km quadrados - maior do que Malta - é a segunda maior ilha dos Açores, o que significa que em probabilidade de beleza natural deveria ser a segunda com mais coisas, certo?) penso que teriam beneficiado de estar mais tempo na ilha do Pico.
    Tal como o "Vento no Cabelo" disse, subir ao Pico deve ser planeado pela meteorologia e não porque só se tem aquele dia; os Açores e o Pico foram feitos para se viver e não se ver, por isso devem ser apreciados com mais vagar. É este o meu conselho a todos os que visitam o Pico - e se estiver a chover, nada melhor do que procurar uma adega onde esteja um picaroto, porque concerteza será convidado a entrar, partilhar a comida e fazer parte da alegria do viver do Pico!
    Muita gente me pergunta quanto tempo é preciso para ver o Pico... Respondo: uma vida inteira! Mas para quem não a tem, uma semana não é desajustado: ver baleias, subir à montanha, ver as adegas e as vinhas, trilhos a pé, conviver com as pessoas, tomar banho no oceano nas piscinas naturais, ir às tradicionais festas da costa e muito mais.
    Já sabem, qualquer coisa visitem: caisdopico.blogspot.pt
    Haja saúde!

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    1. Caro Ivo,
      Obrigado pelo seu testemunho. Infelizmente nem sempre temos disponível todo o tempo que desejamos. Estamos certos que voltaremos a essa ilha fantástica e, dessa forma, talvez seja o próprio Ivo a convidar-nos a visitar uma adega :)

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  4. Subi ao Pico em julho de 2010. Foi inesquecível. Se puderem, voltem, merece muito a pena ficarem com uma boa recordação. Sou do ctn mas tenho casa no pico; se precisarem de sugestões posso ajudar. Ah, é estrada "transversal" e não "longitudinal" ;)

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    1. Obrigado pela correção. Temos desejo de voltar, a ilha é magnífica. :)

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  5. Antes de mais parabéns pelo vosso maravilhoso blog. Adoro e só posso agradecer as partilhas das vossas viagens e aventuras. Um verdadeiro deleite que leva a viajar que vos lê.
    Dentro de dias irei regressar aos Açores com o meu marido numa viagem a dois. Faz parte dos nossos planos subir ao Pico e contemplarmos e daí o pôr-do-sol. Neste momento estamos na dúvida se é melhor fazermos a subida com guia e contratarmos uma empresa (posto que a descida já será feita de noite). Como foi a vossa experiência nesse sentido e o que recomendam?
    Obrigada pela resposta e continuação de muitas viagens à solta :)

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    1. Obrigado pelas suas palavras. É bom saber que os nossos textos são úteis para outros viajantes. É essa a nossa motivação.

      Em relação à sua questão concreta, tudo depende da experiência que tem em fazer caminhadas: se nunca fez uma caminhada na vida de forma autónoma, o guia talvez seja uma boa ideia, caso contrário não lhe fará falta. Tal como dizemos no texto a principal preocupação são as condições climatéricas. Se estiver nublado/nevoeiro será muito fácil perder-se, se estiver limpo é muito fácil seguir o percurso de estacas que está bem sinalizado.

      Para terminar, geralmente as pessoas preferem ver o nascer o sol, mas como nós infelizmente ainda não tivemos oportunidade de ver nem um nem o outro, não podemos aconselhar.

      Boa escalada! :)

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  6. O melhor de subir o Pico é o nascer do Sol e não o por do sol (não só por o céu estar geralmente mais descoberto mas pela sombra da montanha sobre a ilha do Faial). Em relação ao nome da estrada que tem as lagoas o Paulo estava correcto: longitudinal (estrada de onde se avistam duas das seis lagoas e com uma recta de 8 km). Transversal é a outra estrada que liga Lajes a São Roque. Cumprimentos

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  7. Bom Dia!
    Irei ao Pico em Agosto e, infelizmente, terei apenas um dia disponível. Gostaria de saber o que me aconselham: terei de optar pela subida à montanha ou uma visita que inclui a passagem pela Casa da Montanha (subida até à Furna Abrigo), pelo planalto central da ilha, onde há cerca de 200 vulcões extintos e 48 lagoas vulcânicas, pela paisagem da cultura da vinha e uma visita à Gruta das Torres. Qual a V/ opinião?
    Desde já, muito obrigada pelo V/ conselho. Cumprimentos.

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    1. Olá Patrícia!
      Qualquer das opções é boa. Por isso, se fosse a si, escolhia o que mais gosta de fazer, o que a entusiasma mais. Se optar pela subida ao Pico, certifique-se de que é um bom dia para o fazer. Na Casa da Montanha podem aconselhá-la. Se estiver mau tempo, eu não arriscaria. A caminhada é longa e exigente. Não vale a pena se depois não conseguir ver nada...

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