domingo, julho 13, 2014

Angra: uma cidade com história!

Angra do Heroísmo, capital da Ilha Terceira, nos Açores, foi a primeira cidade portuguesa inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO, em 1983. Mas o que fez esta cidade merecer tão grande distinção? Para responder a esta questão é necessário analisar os seus grandes marcos históricos.

Descoberta em 1427, Angra do Heroísmo desempenhou um papel estratégico ao longo do tempo, sendo a primeira localidade dos Açores a ser elevada a cidade (em 1534). Entre os séculos XV e XVI foi porto de escala obrigatória das frotas de África e das Índias e, no séc. XVI, escolhida pelo papa Paulo III para sede do Bispado. Mais tarde (entre 1766 e 1832), foi designada capital dos Açores, e o heroísmo demonstrado pela sua população durante as lutas liberais do século XIX levaram D. Maria II a designar a cidade de Angra como Angra do Heroísmo.



Actualmente, as suas bonitas e típicas ruas são o reflexo de anos de história e influência dos seus habitantes provenientes de diversas regiões. Apesar de Angra do Heroísmo ter sido violentamente fustigada por um terramoto, na tarde de um radioso dia de Ano Novo de 1980, conserva ainda um património arquitectónico e paisagístico únicos. Prova disso são o seu legado de talha dourada, azulejaria, esculturas e mobiliário de madeiras exóticas patentes em fortificações, ermidas, capelas, igrejas, palácios e conventos.

No centro da cidade, a Praça Velha, em tempos usada como mercado de galinhas e gado, palco de corridas de toiros e palco de enforcamentos, constitui o ponto a partir do qual se desenvolveu todo o núcleo urbano. Aqui situa-se actualmente a sede do concelho, no qual se encontra guardada a primeira bandeira azul e branca da monarquia constitucional bordada pela rainha D. Maria II. Nesta praça, repare no empedrado branco e negro, configuração da tradicional colcha regional feita no tear. Repare ainda num dos mais belos exemplares da cultura setecentista: a Casa do Contratador Prudência construída à custa do comércio do tabaco.

Devido à centralidade da Praça Velha, este é um óptimo ponto de partida para os passeios pela cidade. Desça até à marina. Dê uma caminhada pelo molhe e aprecie a paisagem rodeada pelo Forte de São João Baptista, Forte de São Sebastião e o Monte Brasil. Se o tempo o permitir, aproveite e dê um mergulho no mar ou um passeio de barco para avistar golfinhos e baleias.





Deixe-se perder pelas ruelas e visite os Impérios – pequenas capelas de cores fortes espalhadas pela cidade e ao longo de toda a ilha, dedicadas ao Divino Espírito Santo. Estes monumentos, usados pelos primeiros colonos para pedir a protecção contra os desastres naturais, estão associados a uma das festas mais típicas e conhecidas, celebrada em toda a ilha, a festa do Divino Espírito Santo.



Ao longo da visita pela cidade encontrará numerosas igrejas. A Sé Catedral é um dos exemplares mais bonitos. Localizada no centro histórico da cidade, esta igreja remonta a uma primitiva igreja paroquial, inicialmente construída em 1461.



Instalado no antigo convento franciscano, o museu também merece uma visita. No seu interior encontrará um conjunto de objectos, destacando-se uma belíssima colecção de armaria.

Não deixe também de visitar alguns dos espaços verdes mais emblemáticos de Angra, como é o caso do Jardim Duque de Terceira. Encontrará espécies de árvores de diferentes continentes, marco do percurso histórico da cidade. Sente-se num dos bancos de jardim enquanto aprecia a beleza deste oásis e retempere energias.





Suba a escadaria do Jardim Duque de Terceira e, no cimo, visite o Obelisco do Alto da Memória, monumento construído no século XIX em homenagem à passagem de D. Pedro IV pela cidade aquando da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Neste miradouro terá uma das melhores panorâmicas da cidade.





Outro dos miradouros emblemáticos localiza-se no lado oposto, no topo do Monte Brasil. Este antigo vulcão extinto com origem no mar, e que entretanto se juntou à cidade, é classificado como paisagem protegida e atualmente usado como parque natural da cidade. Se gosta de caminhar ou de umas corridas, equipe-se e faça-se ao caminho. Lá do cimo, visite vários pontos de interesse usados no passado não só para avistar baleias, mas também para identificar o número, nacionalidade e tipo de embarcações que se aproximavam de terra.

O Pico das Cruzinhas é um dos miradouros mais visitados do Monte Brasil. Neste local foi erigido um padrão em 1932, evocativo dos 500 anos da descoberta dos Açores. Aviste, desde aqui para nascente, a cidade, a marina, o Porto Judeu, a Ribeirinha, os ilhéus e, para poente, várias baías até à freguesia de São Mateus da Calheta. O pôr-do-sol é uma das alturas do dia mais interessantes para vir até aqui. Se escolher este período do dia para a sua visita, tenha em atenção a hora de fecho do Monte, já que este se localiza numa zona militar de acesso restrito.

Sobre o istmo do Monte Brasil, foi mandado construir por Filipe I a maior fortaleza erigida em Portugal durante o domínio espanhol: a Fortaleza de São João Baptista. Esta fortaleza foi usada para defender a cidade dos ataques dos piratas e corsários que tentavam apoderar-se das riquezas trazidas da Índia, sendo actualmente usada como base militar. O local é visitável, embora com algumas restrições de horários. Deste ponto, aviste do lado oposto o Forte de São Sebastião, edificado no séc. XVI no reinado do rei com o mesmo nome. Actualmente convertido em pousada, esta foi a primeira grande fortificação marítima construída na cidade.





Se tiver tempo, não deixe de fazer uma visita ao Algar do Carvão, espaço classificado como Monumento Natural situado a cerca de 12 km da cidade, na caldeira Guilherme Moniz. O nome é enganador. Na verdade, trata-se de uma chaminé vulcânica. Já alguma vez pensou entrar no interior de um vulcão? Aventure-se. O espaço é seguro e nada claustrofóbico. Ao contrário do que geralmente se verifica, esta chaminé não se encontra completamente obstruída. Um túnel de acesso, aberto em 1966, permite que chegue ao interior da chaminé de forma cómoda evitando a descida através da boca do Algar. Aprecie não só formações rochosas como as estalactites, mas também as comunidades vegetais que cobrem o seu interior. A cratera, com uma dimensão de 15 por 20 m, termina numa lagoa de águas límpidas a 90 m de profundidade. Se estiver interessado em conhecer os detalhes geológicos, solicite uma visita guiada à associação "Os Montanheiros", responsável pela gestão turística desta cavidade.



Ao longo do percurso até ao Algar, aprecie as tradicionais paisagens açorianas: campos a perder de vista, pintalgados com pontos negros – as vacas leiteiras. As vacas são tão importantes na ilha, que uma das vias rápidas é conhecida como a Via Vaca! Durante a sua estadia na ilha, não deixe de provar também os famosos queijos e vinhos.

Termine a sua visita com uma lembrança. As colchas e as rendas, os bordados em linho, as flores artificiais, os barretes de pastor e os chinelos garridos são algumas das opções.

Texto e fotos: Tânia Fontes

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