sábado, agosto 31, 2013

Viagem Inesquecível (parte 3)

Em Dali

Por ter terminado o texto anterior com a triste história ocorrida na escola de uma aldeia junto à “Garganta do Tigre que Salta” vou relatar agora, por contraste e em jeito de catarse, uma cena cómica que se passou connosco em Dali, mais uma das cidades históricas da província de Yunnan.

Não tendo embora o encanto de Lijiang, Dali é também uma cidade bonita, com as suas grossas muralhas bem preservadas, as suas portas/entradas monumentais, os seus templos, as suas etnias bem representadas nos trajes que raparigas elegantes exibem orgulhosamente pelas ruas do centro histórico.



Fora de muros vale bem uma ida ao lago Ehrai, preferencialmente de bicicleta (o aluguer é barato) e/ou uma subida, em teleférico, ao Templo San Ta, com uma vista fabulosa sobre a cidade.



Dali, como Lijiang, vive essencialmente do turismo e do comércio, centrado quase todo na rua principal que atravessa de um lado ao outro a cidade em linha recta e numa grande extensão, com muitas lojas, às portas das quais se vêem muitos artesãos trabalhando ao vivo.



Ora, foi precisamente nesta rua que aconteceu a peripécia que vou contar.

Quando passeávamos descontraidamente, parou diante de nós um chinês de meia idade que percorreu, com o olhar, os pés de cada um de nós. Ignorámo-lo e prosseguimos. Uns bons metros mais à frente, voltou a aparecer e, desta vez, colando-se a mim, olhou apenas para os meus sapatos, apontando para eles. A minha filha, então, gracejou: vejam, a mãe até na China atrai pedintes ou maluquinhos.



Continuámos e a cena repetiu-se por mais duas ou três vezes. Na última, já quase no fim da rua, pôs-se de novo à nossa frente, apontando insistentemente para as escadas de uma casa, ao mesmo tempo que fazia sinal para nos aproximarmos. Fizemos-lhe a vontade e o mistério desvendou-se. Nos degraus estava instalado um engraixador/ sapateiro. Afinal, o homem era angariador de clientes. O sapateiro, tal como o angariador, começou por analisar os sapatos que calçávamos. Por gestos, pediu os meus. E aí eu percebi que só os meus eram engraxáveis. A seguir pediu os do Daniel e mal pegou neles, num abrir e fechar de olhos, tirou as solas velhas para pôr meias solas. Trabalho chorudo! O meu filho esteve à beira de um ataque de nervos. Eram os únicos sapatos cómodos que tinha. Tinha-os levado de Portugal. Em Macau comprou em vão vários pares, mas os seus pés não se adaptavam às formas chinesas.

Se ficaram bem? Ainda hoje não sabemos. Era assunto de que não podíamos falar...

Texto da autoria de Jacinta Ribeiro

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