quinta-feira, agosto 29, 2013

Viagem Inesquecível (parte 1)

Corria o ano de 2004 quando passei à situação de aposentada. Ao receber a informação através dos Serviços Administrativos da escola onde trabalhei, disse para comigo: vem mesmo a calhar. Já posso ir a Macau visitar os meus filhos e ficar lá o tempo que me apetecer.

Dei conhecimento do meu desejo à família. O meu marido ficou entusiasmado; os filhos radiantes, mas com um problema: como conciliar a presença dos pais com uma viagem agendada para as férias de Natal desse ano?

Já em Macau, falou-se do assunto. Queriam descobrir a China profunda. Aberto o diálogo, pensámos alto: faria sentido passarmos o Natal separados? Podíamos partir os quatro, mas nós, pais, teríamos pedalada para tal viagem? Não querendo ser desmancha prazeres, tendo eles a quem sair, arrisquei: vamos todos. Com o Daniel vou nem que seja ao fim do mundo.

Assim foi. Comprámos mochilas, roupa e calçado para enfrentrarmos o frio gélido das montanhas.

Partimos para o quase fim do mundo. Saímos de manhãzinha cedo de Macau, passámos a fronteira com a China e, em Zhuai, apanhámos um táxi para o aeroporto de Cantão e daí voámos para o destino em vista: província de Yunnan, muito próxima do Tibete.

Dentre as cidades visitadas, destacarei a que mais me fascinou: Lijiang, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO e situada a noroeste da província, a 2.400 m de altitude.



Percorrer as ruas empedradas do centro histórico, vedado a carros e bicicletas;

Entrar nas lojinhas de amplas portadas de madeira e encimadas por cornijas e telhados laboriosamente talhados;

Apreciar o artesanato genuíno;

Caminhar paralelamente aos canais com pontes e noras em madeira;



Assistir na Praça Velha às danças de mulheres Naxi;

Deliciar-se com um concerto de música interpretada por músicos da mesma etnia, numa sala lindíssima, onde se misturavam sons saídos de instrumentos muitos deles nunca vistos;



Entrar no Instituto de Pesquisa Dongba para participar numa aula de escrita chinesa;



Passear no Parque do Lago do Dragão Preto;

Ver ao longe as montanhas salpicadas de neve;



Enfim, entrar num pequeno bar para saborear a gastronomia local;

Tudo isto foi mergulhar na China antiga, profunda...

De medidas cheias, sentia-me satisfeita. Os meus filhos não. Faltava a cereja em cima do bolo: um trekking naquelas montanhas imaculadas. Que não entrássemos em pânico, disseram, estava tudo previsto...

Texto da autoria de Jacinta Ribeiro

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1 comentário:

  1. ..é muito feio ser invejosa....mas como gostava de ter estado convosco!!!!!

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