domingo, agosto 25, 2013

Pelas Aldeias Históricas de Portugal

No centro de Portugal, mais propriamente na Beira Interior, escondem-se 12 aldeias históricas estrategicamente alinhadas ao longo da fronteira com Espanha, onde se travaram batalhas entre castelhanos e portugueses; onde há muralhas, castelos e torres donde se vigiavam as terras em redor; onde é possível ver casas medievais e percorrer ruas do tempo dos primeiros reis de Portugal.

Apesar de recentemente recuperadas, as aldeias são na sua maioria terras perdidas no tempo, quase desertas, com uma população maioritariamente idosa que o receberá com olhares curiosos, à espera de uma conversa que lhes suavize o dia-a-dia.

Se as quiser visitar todas, deverá guardar pelo menos quatro dias completos para o fazer. Não lhe vamos dizer o que deve ver em cada uma, porque o prazer de conhecê-las assenta em perder-se pelas suas calçadas medievais e descobrir por si próprio o que escondem. Não se preocupe: as localidades são pequenas e não lhe vai escapar nada se não levar um mapa ou um guia de viagem.

Deixamos-lhe, pois, apenas uma breve descrição de cada aldeia, numa ordem que reflete a nossa preferência pessoal.

Pelas serras fora, a caminho das aldeias

1. Sortelha

É uma das aldeias mais antigas do país, do tempo de D. Sancho II, o quarto rei de Portugal. Vale a pena subir às muralhas que rodeiam a zona histórica, onde um castelo vigia as casas e calçadas de grantito.






2. Marialva

Assente no alto de rochedos, esta pequena aldeia foi uma importante praça militar na Idade Média e ponto de passagem do caminho de Santiago. Ao contrário de outras aldeias onde se recuperaram casas e monumentos, em Marialva optou-se por manter a cidadela no interior das muralhas em ruínas, o que nos faz recuar nostalgicamente no tempo.


3. Monsanto

À semelhança de quase todas as outras, esta aldeia foi totalmente construída em pedra granítica. Por ela passaram romanos, depois visigodos que foram conquistados por mouros, por sua vez conquistados pelo primeiro rei de Portugal, que a doou à Ordem dos Templários. A aldeia oferece dos cenários mais interessantes que se podem encontrar em Portugal, tanto em termos arquitetónicos como paisagísticos. A custosa subida a pé até ao castelo, passando por pedregulhos de granito que servem muitas vezes de paredes e telhado às casas, é compensada por uma das mais deslumbrantes vistas sobre a região.


4. Piódão

É provavelmente uma das aldeias históricas mais conhecidas do nosso país. Rodeada pela paisagem verdejante da Serra do Açor e assente em socalcos, faz lembrar um presépio onde sobressai uma igreja branca no meio de casas de xisto, com portas e janelas pintadas de azul.




5. Castelo Rodrigo

A pequena aldeia, situada no topo de uma colina, deve o seu nome ao conde Rodrigo Gonzalez de Girón, a quem foi doada pelo rei D. Afonso IX de Leão, tendo-se tornado portuguesa com D. Dinis. Apesar de ser uma das aldeias mais bem recuperadas, ainda conserva em ruínas o enorme palácio no alto do monte, a que o povo pegou fogo devido à traição de Cristovão de Moura, seu senhor, a favor de Castela, assim como o brasão invertido, outra marca da deslealdade da nobreza aquando da Restauração da Independência portuguesa.


6. Linhares da Beira 

É o seu castelo que nos chama primeiro a atenção, ao longe, ainda antes de se chegar à aldeia. Visto de perto, somos surpreendidos pelo facto de assentar sobre um enorme penedo. Também o resto da aldeia é todo de pedra, sendo um prazer calcorrear as suas ruas bem cuidadas, onde terá andado D. Afonso Henriques.


7. Castelo Mendo

As muralhas medievais em redor desta aldeia protegem as ruínas de um castelo e escondem casas simples e ruas estreitas onde ninguém caminhava na altura em que a visitámos, o que não deixa de ser irónico se pensarmos que foi aqui que se realizou a primeira feira em Portugal, no tempo de D. Dinis. Apesar de penosamente deserta, ou talvez por isso, é uma das aldeias históricas mais genuínas de Portugal.


8. Idanha-a-Velha 

Ao percorrer esta aldeia, sentimo-nos num museu ao ar livre passando por vários vestígios dos povos que a ocuparam desde Romanos, Suevos, Visigodos e Muçulmanos, até ter sido tomada por D. Afonso Henriques, que a doou aos Templários para ser repovoada.


9. Castelo Novo 

O nome desta localidade deve-se ao castelo, construído no século XII, a que foi dado o nome de “novo” por ter substituído um outro que não defendia devidamente o lugar. Das suas torres vê-se a Serra da Gardunha ao redor, assim como belos exemplares de casas senhoriais no interior das muralhas.


10. Trancoso 

É logo a entrada na vila que impressiona, pela antiga Porta d’El Rei, entre duas torres de pedra simétricas. O rei é D. Dinis que aqui se casou com Isabel de Aragão, no séc. XIII. No seu interior, as ruas preservam o ambiente medieval, assim como algumas casas de judeus que aqui se estabeleceram dois séculos depois. Entre eles, destacou-se o misterioso Bandarra que, como se lê na estátua em sua homenagem, foi “poeta, profeta e sapateiro de Trancoso” e, mais tarde, fonte de inspiração para muitos escritores, entre os quais Fernando Pessoa.


11. Belmonte 

Apesar de integrada na rede das Aldeias Históricas de Portugal, não tem o ambiente intimista e aconchegante das anteriores. A sua importância advém de aí ter nascido Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobriu o Brasil, e de nela se ter fixado a primeira comunidade judaica do país, no séc. XV. Nas ruínas do antigo castelo, sobressai uma elegante janela manuelina, onde estão representados a esfera armilar, símbolo das descobertas marítimas, e o brasão dos Cabrais, onde figuram duas cabras. Nos arredores, destaca-se uma invulgar torre romana.

Castelo com a sua janela manuelina
Torre romana, perto de Belmonte

12. Almeida

Esta vila medieval é mais bonita vista do ar, já que as muralhas que a rodeiam parecem uma estrela de doze pontas. Em terra, é possível percorrê-las a pé, seguindo as pisadas dos soldados que noutros tempos nela lutaram durante as Guerras da Restauração e as Invasões Francesas.


E ainda...

Penha Garcia

Se visitar Monsanto e Idanha-a-Velha, vale a pena dar um saltinho até aqui, não só pela aldeia em si, mas sobretudo pela vista singular a partir do seu castelo em ruínas. Se ainda tiver pernas, poderá descer ao fundo do vale para visitar alguns moínhos de água ou para seguir a rota dos fósseis, inserida no Geoparque Naturtejo.

Vista a partir do castelo de Penha Garcia

Folgosinho

Finalmente, se quiser juntar ao passeio uma refeição inesquecível, propômos-lhe o restaurante "O Albertino", situado em Folgosinho, localidade onde terá nascido o lendário Viriato.

Castelo de Folgosinho

6 comentários:

  1. Página muito interessante com um magnífico roteiro para conhecer um pouco do nosso país

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  2. Eu adorei o Piodão!!! é mesmo uma aldeia linda, um local mágico, onde espero voltar!

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  3. Oi, Paulo. Bem legal seu post sobre as Aldeias Históricas. Quanto tempo você levou para conhecer o local? Tem alguma sugestão de cidade para se hospedar?

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    1. 5 dias dá para visitar tudo nas calmas. Quanto ao alojamento, tente ficar nas próprias aldeias.

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  4. Olá Paulo,
    existem passeios entre as aldeias com caminhadas? São distantes entre si?
    É melhor com auto?
    Abraços,
    Paulo Lago

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    1. Paulo, o melhor é verificar as distâncias no google maps. O nosso conselho é fazer de veículo motorizado ou se tiver pernas para isso, bicicleta - mas a pé não.

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