quarta-feira, agosto 14, 2013

Islândia - A península de Snæfellsnes

Snæfellsnes é uma península na zona ocidental da Islândia, sendo uma boa amostra da diversidade da ilha, aqui concentrada numa região de 100 por 20 km. Para quem tiver poucos dias disponíveis, Snæfellsnes é um destino obrigatório, juntamente com o Golden Circle.

Eis os locais que visitámos em dois dias:

Stykkishólmur 

Stykkishólmur é uma pequena vila costeira na zona norte, com as habituais casas coloridas e ambiente pacato. O porto serve de embarque para o ferry Baldur, sendo um atalho para quem pretende ir aos West Fjords ou à ilha Flatey. A marina é protegida por um rochedo que pode ser visitado e serve de miradouro, com vista para a vila.

Stykkishólmur
Enquanto passeávamos no rochedo, fomos abordados por duas crianças sorridentes e envergonhadas, que nos ofereceram duas tulipas vermelhas.

Snæfellsnes
Em Stykkishólmur, há vários restaurantes e uma pastelaria ótima, que espalha um cheiro convidativo por toda a vila, sendo difícil resistir. O almoço foi no Narfeyrarstofa, um pequeno restaurante acolhedor, onde comemos pratos à base de peixe que não nos deixaram ficar mal. Ao nosso lado, ficou um casal de franceses que se debatia, sem sucesso, por fazer o pedido. O homem não abria a boca, a não ser para falar em francês com a mulher, e esta limitava-se a dizer "Fish, fish! After, after!". O empregado, sempre paciente, bem que tentava perceber qual dos pratos eles queriam, pois de peixe eram todos.

Snæfellsnes

Grundarfjörður

Depois do almoço, seguimos caminho até Grundarfjörður, mais uma vila costeira pitoresca, situada junto a uma das baías mais fotografadas da Islândia, onde passaríamos a noite. O cenário é perfeito: do lado esquerdo, tem-se a cascata Kirkjufellfoss e o monte Kirkjufell em forma de sino e, do lado direito, uma pequena baía de águas calmas. Tive a sorte de presenciar este cenário durante o pôr-do-sol, perto da meia-noite, valendo bem o frio de rachar que se fazia sentir.

Kirkjufell e Kirkjufellfoss
Nesse dia, continuando caminho pela costa norte, ainda tivemos tempo de visitar Ólafsvík. Passámos por campos de lava, por montanhas coloridas refletidas em lagoas de águas serenas, por pequenas cascatas e por campos verdejantes e floridos com cavalos e ovelhas. Passear pelas estradas da península Snæfellsnes nunca se torna aborrecido.

Snæfellsjökull (dia 2)

O glaciar Snæfellsjökull tornou-se mundialmente famoso depois do escritor Júlio Verne o ter descrito no livro "Viagem ao Centro da Terra", como o ponto inicial da aventura. Quando era criança, adorava ler os seus livros, o que me deixou ainda mais curioso e desejoso de ver o glaciar ao vivo.

"Snowcat" com o pico do Snæfellsjökull ao fundo
Uma empresa local vendia umas excursões de "snowcat" até ao topo. Embora os preços fossem bem puxados, não ia deixar que uma questão monetária me impedisse de pisar aquele lugar mágico sobre o qual tinha lido durante a infância. Tivemos de subir a montanha por uma "f-road", ou seja, por uma estrada imprópria para viaturas normais até ao ponto onde os "snowcats" nos aguardavam.

Aí juntou-se a nós um grupo de séniores americanos, com tanto de simpático como de barulhento. O cabecilha da pandilha, vendo-me com a câmara em punho, meteu conversa, fazendo as perguntas introdutórias do costume e de seguida enveredando pelo lado fotográfico. Graças à esposa, ficámos a saber que estoirava imenso dinheiro em equipamento fotográfico, pelo menos na opinião dela. Contou que tiveram alguma dificuldade em chegar ao local no seu Mercedes topo de gama e perguntou, com ar de desdém apontando para o nosso jipe, se não nos tinha acontecido o mesmo. Disse-lhe que não, pois a nossa viatura tinha tração às quatro rodas. Ele ficou muito enxuto e acabou por lamentar-se, dizendo que se calhar também devia ter alugado um, sob os protestos da mulher, que argumentou que o carro deles lhes servia muito bem.

No topo do Snæfellsjökull
O "snowcat" subiu poderosamente a encosta íngreme coberta de neve e gelo, deslizando no limite da aderência das suas enormes lagartas. Quando chegámos aos 1500 metros, já lá estava um grupo de alpinistas que tinha feito a subida a pé. Repousavam cobertos com toalhas na cabeça para se protegerem do sol. Naquela altitude e com tudo coberto de neve, o sol torna-se abrasador e sentimo-lo mesmo a queimar a pele desprotegida.

Brincadeiras no Snæfellsjökull
Depois das brincadeiras habituais dignas de crianças com um quarto da minha idade, acabámos com os pés encharcados devido à neve que entrou dentro das botas. O divertimento compensou em muito os pés frios e quem corre por gosto não cansa. A descida foi muito mais célere, tal como era de esperar, já que para baixo todos os santos ajudam.

O salto da praxe a 1500 m de altitude

A pé até Hellnar

Como ainda era cedo, decidimos fazer uma caminhada, sobre a qual tínhamos lido maravilhas, entre Arnarstapi e Hellnar. O trilho segue junto às falésias do lado sul da península, levando aproximadamente uma hora para cada lado, pelo meio de rochas de lava parcialmente cobertas de musgo verde.

A caminho de Hellnar
A meio do percurso, passa-se por uma casa de cores garridas, perdida no meio do nada. Imaginei que devia ser um refúgio de férias de alguém da capital, sempre que procurasse isolamento. O percurso termina numa zona à beira-mar, com formações rochosas invulgares onde imensas aves nidificam.

A casa de cores garridas
No final da caminhada, voltámos à estrada em direção ao alojamento para essa noite, que ficava a mais de 200 Km. Todavia, antes de abandonarmos aquela península deslumbrante, fizemos um desvio na zona sul, para tentarmos mais uma vez avistar focas. Desta vez conseguimos, embora ainda consideravelmente longe, pondo assim ponto final à "checklist" de animais que tínhamos planeado ver na Islândia.

Uma foca a apanhar sol

Mais artigos sobre a nossa viagem pela Islândia aqui.

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