sábado, julho 13, 2013

Quando formos velhinhos, queremos ser assim

Era uma vez uma velhinha na Islândia. Ia ao volante de um Hyundai i10 branco, um carro muito pequeno, dos menos potentes que se podem alugar. Ela era a condutora, um homem ia ao seu lado.

Passaram a primeira vez por nós numa estrada de gravilha, quando pensávamos que estávamos sozinhos no mundo. Tínhamos saído do carro para tirar umas fotografias sentados numa estrada sem fim. Durante bastante tempo, não passou ninguém, não se viam carros, éramos só nós os dois. Depois, começou-se a vislumbrar uma poeira ao longe. Mais tarde, a poeira estava à nossa volta, nós a olhar curiosos para dentro do outro carro, eles a olharem curiosos para nós na berma da estrada. Devemos ter pensado o mesmo: o que é que estes andam aqui a fazer?

"Viste? Já não são nada novos e ela é que conduz" - disse eu.

Iam devagarinho, é certo, mais iam. Tinham-se aventurado numa estrada por onde raramente passavam carros, muito menos como o deles; uma estrada que a maioria dos turistas que percorre o Golden Circle não explora, por desconhecimento de que o verdadeiro encanto da Islândia está ali, naquelas paisagens inóspitas.

Frustrados com as fotos que não faziam justiça à realidade, voltámos a entrar no jipe e seguimos viagem. Apesar do avanço que o Hyundai i10 nos tinha dado, depressa o alcançámos. Por pirraça, acelerámos mais ao ultrapassá-lo, deixando um rasto de pó atrás.

Claro que não podíamos ficar muito tempo dentro do carro. As paisagens imensas da estrada 32, ao longo do vale Þjórsárdalur, faziam-nos desejar correr, saltar, gritar e espernear.

A fugir do arco-íris

Queríamos explorar tudo. Então saíamos novamente do carro e, passado algum tempo, a velhinha e o seu acompanhante voltavam a passar por nós, agora já a cumprimentar-nos como se fôssemos velhos conhecidos. Claro que os voltávamos a encher de pó quando os ultrapassávamos mais adiante.

Esta história repetiu-se várias vezes até a estrada de gravilha se transformar em asfalto. A velhinha resolveu então acelerar desenfreadamente para nunca mais a vermos, a não ser nas nossas memórias de um dos melhores passeios que fizemos na Islândia.

Mais artigos sobre a nossa viagem pela Islândia aqui.

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