domingo, julho 07, 2013

Islândia - Terra dos Elementos Naturais

Apenas com uma pesquisa rápida na Internet ou recorrendo a literatura específica de viagens, consegue-se imensa informação sobre a Islândia. No entanto, informação em português, escrita por um português com base na sua própria experiência, talvez não seja assim tão fácil de encontrar. Foi com esse propósito que decidi escrever este texto como forma de melhorar a experiência do "tuga" naquele país maravilhoso.

A duração da viagem

A minha viagem pela Islândia durou 15 dias inteiros no início de junho, mas poderá ser feita em menos ou mais tempo, dependendo do tipo de experiência que se procura. Se for uma pessoa que adora caminhadas e divagar pela natureza, o tempo mínimo que recomendo é este. Caso contrário, se pretende apenas picar as principais atrações turísticas, poderá reduzir a viagem em alguns dias.

O meu itinerário

Neste link, poderá ver o plano da minha viagem e os hotéis em que fiquei. Como irá reparar, há alguns pontos assinalados a amarelo: são atrações secundárias que, por falta de tempo, não visitei na totalidade. Os pontos a vermelho são os mais importantes, mas convém averiguar se os poderá visitar na altura em que estiver na Islândia. É que algumas estradas não estão abertas todo o ano, como explicarei mais à frente.

A capital

Reykjavik é a capital da Islândia, onde se concentram dois terços da população total do país. É uma cidade, em termos de população, semelhante a Coimbra ou a Braga, tendo aglutinado as localidades vizinhas, formando uma grande zona urbana de pequenas casas familiares e poucos prédios. Dois dias serão suficientes para ficar a conhecer a maior cidade do país, incluindo uma ida à Blue Lagoon, nos arredores.

A 40 km, fica o Aeroporto Internacional de Keflavik, que junto tem uma pequena cidade com o mesmo nome. Keflavik é uma boa opção para se pernoitar, caso os voos sejam tardios ou partam muito cedo. Os preços são mais em conta do que os da capital, tendo a vantagem de se ficar junto ao aeroporto, havendo inclusive alojamentos que fornecem transporte gratuito para o mesmo.

The Sun Voyager (em islandês: Sólfar), escultura inspirada nos barcos vikings, em Reikjavik

Fora de Reykjavik

Fora da capital, existem apenas pequenas vilas ou o equivalente às nossas aldeias, mas com bastantes serviços. Tudo num ambiente extremamente relaxado, seguro, sereno e sem stress.

A melhor forma de conhecer o país

Alugar um carro permitir-lhe-á dar a volta à Islândia ao seu próprio ritmo e com autonomia. Ao mesmo tempo, poderá aventurar-se por estradas mais remotas.

As localidades islandesas estão bastante afastadas entre si, pelo que deverá planear bem a sua viagem, especialmente no que toca ao alojamento, às refeições e ao abastecimento de combustível. Não se preocupe, todavia, com o tempo que vai  passar na estrada, porque a viagem em si é maravilhosa, com paisagens a perder de vista.

Locais a não perder

A Estrada Nacional 1

Todos os locais que referi anteriormente ficam ao longo da "Ring Road", uma estrada circular com paisagens deslumbrantes que dá a volta à ilha. É uma estrada segura, bem mantida e que normalmente está aberta durante todo o ano. É, na sua maioria, semelhante às nossas estradas boas do Alentejo, com retas a perder de vista e bom piso.

Estrada de gravilha no meio das montanhas

As restantes estradas

A estrada que liga Keflavik a Reykjavik é equivalente às nossas auto-estradas, mas sem portagens, com pouco trânsito, sendo a velocidade limite, em muitos casos, 80.

Com exceção desta estrada e da "Ring Road", as estradas pavimentadas são raras, sendo o piso de gravilha embora com manutenção razoável.

As estradas de gravilha podem ser transitadas por carros normais. À exceção de um ou outro buraco, fazem-se bem, mas são muito mais cansativas se o percurso for longo. As "F-roads", pelo contrário, são estradas de montanha, no interior do país, onde apenas os veículos 4x4 podem transitar.

ATENÇÃO: algumas estradas na Islândia só estão abertas no verão e nem todas. Para saber se estão transitáveis, é fundamental consultar este website (é mesmo muito importante para planear a sua viagem). As estradas a vermelho estão realmente fechadas, sendo impossível passar.

Cuidados a ter na estrada

Pessoalmente, conduzir na Islândia não me pareceu perigoso, desde que se esteja com atenção à estrada, particularmente às lombas e às pontes. Há lombas que cortam completamente a visibilidade e que não têm nada a ver com aquelas a que estamos habituados, já que são autênticas subidas súbitas a colinas. É necessário ter especial cuidado nestas situações, principalmente nas estradas de gravilha. Estas, para além da falta de visibilidade, geralmente são estreitas e, como é óbvio, não têm faixas marcadas. Por sua vez, as pontes são quase todas de passagem única. Apesar de seguras, parecem construídas de improviso com aspeto de remedeio, uma vez que são destruídas quando há grandes enxurradas (e são comuns).

Seyðisfjörður, um dos fiordes da zona este

O alojamento

Na Islândia, os alojamentos são escassos, especialmente os económicos. Portanto, é muito importante reservar antecipadamente, especialmente se se viajar na época alta (julho e agosto). Os preços são facilmente o dobro dos praticados no nosso país para um alojamento com a mesma qualidade. É possível fazer as reservas todas a partir de Portugal. Há muita informação disponível na Internet e pode-se facilmente comparar preços. Alguns hotéis fecham durante o inverno, mas conseguirá ver onde há quartos disponíveis se consultar, por exemplo, o booking.com.

O clima e a roupa a levar

Se planear a viagem atempadamente, a tendência será para que corra tudo bem. O principal fator imprevisível será o tempo. No final da primavera e no verão, prepare-se para ter, no mesmo dia, as quatro estações do ano. Dito isto, escolha bem a roupa. Vá preparado para chuva e muito frio, mas leve também alguma roupa fresca. As fotos que encontrar de pessoas em manga curta não representam "vikings" destemidos. Quando faz calor, faz efetivamente calor. Por vezes, basta também andar uns quilómetros para o tempo mudar radicalmente, de chuva e vento ciclónico para um sol radioso e ardente. Nós costumávamos vestir várias camadas de roupa e levar sempre na mala do carro um impermeável, um polar, gorros, cachecóis e luvas.

O custo de vida

Os preços da Islândia para um português médio são caros, bastante caros. Mas há alguns truques para se fazer uma viagem mais económica, desde que se esteja disposto a abdicar de luxos. O preço do combustivel é semelhante ao nosso, dos produtos nos supermercados é cerca do dobro e nos restaurantes é facilmente entre duas a quatro vezes superior. O custo do aluguer de automóvel também é significativamente superior, disparando em julho e agosto.

A alimentação

Em relação à comida, há oferta para todos os gostos. Os restaurantes normalmente são caros, mais ao jantar do que ao almoço. Os islandeses são grandes fãs de "fast-food" e comem-se bons hamburgers e cachorros quentes em todo o lado. Se gostar de cozinhar, muitos alojamentos têm cozinha onde poderá confecionar as suas próprias refeições.

Skógafoss, uma das cascatas mais visitadas 

A água

Na Islândia, se há coisa que não falta é água, e água boa! Não é muito fácil encontrar água à venda, porque todas as pessoas bebem água da torneira, que é das mais puras do mundo e de fonte glaciar. Mas atenção: não deverá beber água quente que é de origem geotérmica. Esta tem um cheiro a ovos podres, por causa dos conteúdos sulfurosos, entre outros, sendo usada para tomar banho e para o aquecimento.

Telemóvel e acesso à Internet

Os islandeses são dos povos do mundo que mais utiliza a Internet, acima dos 90%. Qualquer quinta com alojamento, por mais no fim-do-mundo que fique, tem acesso à Internet e com boa velocidade. Ao longo da "Ring Road" e junto de todos os centros populacionais também é normal haver bom sinal de telemóvel. Para poupar algum dinheiro, nós optámos por comprar um cartão de dados para telemóvel logo à chegada a Reykjavik.

Dinheiro

Em toda a viagem só encontrei um sítio em que não era possível fazer pagamentos com cartão. Por isso, a necessidade de andar com dinheiro islândes no bolso fica ao critério de cada um. Há alojamentos que também aceitam diretamente Euros.

Não é necessário levar:

  • Passaporte (basta o Bilhete de Identidade ou o Cartão de Cidadão)
  • Adaptadores (as tomadas são iguais às portuguesas)

O itinerário da viagem

Mais artigos sobre a nossa viagem pela Islândia aqui. Se precisar de alguma informação adicional, poderá contactar-nos por e-mail ou através da nossa página no Facebook.

3 comentários:

  1. Parabéns pelo Blog! As fotos estão fantásticas e o texto, rico em informação, muito útil a futuros viajantes. Esperamos mais...

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  2. Está a ser uma delícia ler este blog, é muito bom, e vem mesmo a calhar para uma primeira visita na próxima semana a este país de encanto.


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  3. Paulo Azevedo queria agradecer te o excelente blog.Um privilégio poder viajar convosco :) Também eu fui à Islândia em Junho deste ano.15 dias.Com um grupo de amigos.Demos a volta à ilha.Algumas coisas como dizes e bem não pudemos ver.Mas outras foram maravilhosas de se ver.Gostaria de lá voltar um dia.Aliás depois de ver o teu blog mais vontade tenho de viajar. Coisa que faço quase todos os anos.Muitos Parabéns mais uma vez pelo blogue. Ajuda e muito quem se quer aventurar em viajar,em perder-se..

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