quarta-feira, julho 31, 2013

Islândia - Banhos Termais no Meio do Nada

Uma das recomendações dos guias de viagem para conhecer os eventos e notícias da Islândia é folhear o “Iceland Review”, um jornal islandês escrito em inglês. Na primeira oportunidade, folheámos o tal jornal. Uma das notícias chamou de imediato a nossa atenção: “Fourteen Reasons to take a Bath”. Segundo o texto, “There is nothing better than bathing outside in a natural geothermam pool (…). It´s a great place to feel and see the power of Icelandic nature and be warm”. Ficámos curiosos. Já tínhamos ouvido falar destas piscinas, mas… faltava experimentar. O artigo tinha uma lista de 14 locais, era só escolher:

1. Strúslaug (GPS: 63.52504-18.56677)
2. Landmannalaugal (GPS: 63.59516-19.03713)
3. Hveravellir (GPS: 645.1974-19.33228)
4. Sturlungalaung (GPS: 64.52174-22.17024)
5. Landbrotalaug (GPS: 64.49933-22.19110)
6. Hellulaug (GPS: 65.34629-23.29571)
7. Gjogur (GPS: 66.0127-21.19424)
8. Grettislaug (GPS: 65.52869-19.44206)
9. Laugafellslaug (GPS: 65.01669-18.19912)
10. Vonarkard (GPS: 64.41451-17.52887)
11. Grjótagjá (GPS: 65.37581-16.52974)
12. Lagavellir (GPS: 65.0405-15.45576)
13. Klambragil (GPS: 64.02897-21.13346)
14. Brimketill (GPS: 65.0058-22.42813)

Barragem de Kárahnjúkar
Na zona de Landsvirkjun, junto à grandiosa barragem de Kárahnjúkar, tínhamos referência da existência de uma das tais piscinas. A queda de água da barragem na falha sísmica gera um vapor tal que se avista ao longe. No local, o barulho é ensurdecedor. Aqui sente-se o poder destas terras.

Junto à barragem há um desvio em terra batida para Laugavalladalur, a piscina que procurávamos. Aventurámo-nos no nosso pequeno bolinhas – um Hyundai i10 –, mas a falta de um todo-o-terreno obrigou-nos a prosseguir a pé. O terreno é acidentado e a via está em mau estado. Ao fim de 20 minutos de caminhada, um riacho pôs fim à nossa viagem. Só um jipe passaria por ali. Do outro lado avistámos uns campistas. Suspeitámos que estaríamos perto. Prosseguímos riacho abaixo seguindo um pequeno trilho. Não foi preciso procurar muito, a piscina estava já ali, mas na margem oposta. E agora? Todo este esforço e...

A corrente forte, os calhaus escorregadios e os 30 a 50 cm de água gelada intimidam. Após algumas hesitações, o primeiro corajoso tira os sapatos e as calças e tenta realizar a travessia. Com alguns exercícios de equilibrista chega ao outro lado e enfia-se na piscina com ar de desafio. A cascata que alimenta a piscina fumega. Que inveja. Sem vacilar decido imitá-lo. A água é tão gelada que nos acelera o passo, mas há que ter cuidado, pois a probabilidade de escorregar é grande. Do outro lado, a pocinha está deliciosa e é só para nós. Ao fim de alguns minutos, uns campistas fazem-nos companhia, mas além de cumprimentos amigáveis cada um está no seu canto. Lá dentro não se pode estar demasiado tempo, pois a pele começa a desfragmentar-se... É hora de voltar.

Cá fora está frio e, por isso, é melhor seguir a bom ritmo. Chegámos ao carro esfomeados e com vontade de voltar a mergulhar, mas a hora é avançada e devemos regressar ao hotel.

Vale e piscina natural de Laugavalladalur
No regresso, as hastes de uma rena chamam a nossa atenção. Segundo o guia de viagem, nesta zona existe ainda um número considerável destes animais importados da Noruega. Parámos para tirar umas fotos. Só estamos nós. As hastes são realmente grandes. Ao fim de algum tempo, um veículo passa em direcção contrária e pára. Pergunta-nos se precisámos de ajuda. São simpáticos, mas estávamos apenas a descansar e a apreciar o local. Agradecemos. A cerca de 1 km, um fumo branco aguça de novo a nossa curiosidade. Será que é o que estamos a pensar? As tentativas falhadas já eram algumas mas, sem hesitar, decidimos espreitar. No local não está ninguém, mas há um balneário aberto e duas pequenas piscinas construídas ao ar livre. Era o nosso dia de sorte! Não pensámos duas vezes e voltámos a mergulhar, agora na piscina de Laugarkofi. Ao fim de uns dias de longas caminhadas, foi recompensante sentir a água quente acompanhada de uns pingos da chuva.

Piscina de Laugarkofi e hastes de uma rena
Ao longo dos restantes 16 dias da viagem, não voltámos a encontrar este tipo de piscina, à excepção da piscina-caverna de Stóragjá, no Lago Mývatn. Aí havia quem tomasse banho… tal como viemos ao mundo. Porém, a sua localização numa falha sísmica desaconselha a entrada de banhistas devido à queda de pedras.

Além deste tipo de piscinas naturais/caseiras, a Islândia é tão rica em água quente mineral que praticamente todas as povoações dispõem de piscinas públicas, não cobertas. O seu uso obedece a regras de higiene cuidadas. Estes locais são usados pelos islandeses para relaxar e conversar ao fim de um dia de trabalho; enfim, são equivalentes em Portugal aos cafés. Muitas das piscinas têm escorregas para os miúdos. Os preços são bastante atractivos e alguns hotéis oferecem inclusive entradas gratuitas nestes locais.

Regras de utilização das piscinas municipais
Para além destas piscinas municipais existem os SPA´s completos com condições e preços a condizer, como o da Lagoa Azul (Bláa Lónið) localizado na península de Reykjanes ou os banhos naturais de Mývatn. Estes locais são também constituídos por piscinas exteriores de água quente onde se podem fazer tratamentos de pele e massagens. Também experimentámos e apreciámos, mas os banhos no meio do nada por terras de Landsvirkjun ficaram para sempre bem gravados nas nossas memórias. Bons mergulhos.

Texto e fotos: Tânia Fontes e Daniel Ribeiro

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